sábado, 21 de abril de 2012

Uma surpresa para muitos...


... mas nem tanto para mim. 

Estive com Ricardo Sá Pinto pela última vez no dia 26 de Novembro, ainda era treinador dos júniores do Sporting e deslocava-se a São João da Madeira para defrontar a equipa local, em encontro do campeonato nacional. Por coincidência, cheguei ao mesmo tempo que o autocarro do Sporting ao complexo desportivo e tive oportunidade de ver a equipa sair do autocarro. Quando vi Sá Pinto, ele que sempre foi um dos meus ídolos em termos clubistícos, fui ter com ele, disse-lhe que também era treinador como ele e que pretendia tirar uma fotografia com ele. Muito simpático, desejou-me sorte e foi muito afável no trato. Durante o jogo, estive por trás do banco do Sporting, onde estava um Sá Pinto enérgico, motivador para com os seus jogadores e enquanto eu comentava situações do jogo, ele virou-se para trás e começava a concordar comigo, debatendo situações e procurando soluções. Lembro que nesse jogo, a Sanjoanense, tal como se esperava, apresentou um bloco muito baixo, aproveitando essencialmente erros de construção do Sporting para sair em transição. Sá Pinto estava possesso, não é apreciador deste estilo de jogo, apenas defensivo e pouco clarividente ofensivamente e comentava comigo, virando-se para trás e perguntou-me inúmeras vezes se aquilo era futebol. Muitos dirão que o Sporting se tem apresentado assim a nível europeu e eu discordo, porque não vemos o Sporting a deixar de atacar, a deixar de querer fazer golos, a deixar de querer ganhar. 

Mas o que mais apreciei em Sá Pinto foi o carisma, a relação com os jogadores, os jogadores com ele e ele com os jogadores, a qualidade de jogo, um jogar à Sporting que tanto hoje ainda apregoa como na altura o fez comigo. O Sporting venceu. Venceu e venceu bem, perante uma Sanjoanense bem organizada defensivamente mas pouco clarividente a nível ofensivo. Mas o que ficou na retina, foi a imagem de um treinador. Ninguém apostaria em Sá Pinto neste registo, sobretudo porque lhe ligam muito, e de maneira compreensível, a actos passados.

Hoje, a comunicação social está surpreendida com o início de carreira ao mais alto nível de Sá Pinto, surpreende-se com a sua postura calma, alheia a polémicas e simpática nas conferências de imprensa e surpreende-se com os resultados que a equipa tem apresentado sobretudo a nível europeu. Eu não estou surpreendido. Senti-o, in loco, no passado dia 26 de Novembro. Na vida de treinador, sabemos que hoje somos bestiais e amanhã somos bestas, mas não tenho dúvidas que Sá Pinto se preparou, para estar onde está hoje. Se vai ter sucesso ou não, só mais tarde saberemos, mas os primeiros principios têm sido positivos. Para continuar a acompanhar com atenção.

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