quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Juízos (fracos) de valor


Este 'post' serve um pouco de reacção aos juízos de valor que as pessoas sem conhecimento da realidade do mundo do 'treinador', fazem à contratação de determinados treinadores para os seus clubes. Costumo dar algum ênfase e alguma importância à vida diária de clubes pelos quais sinto algum apreço e a Académica, surge como um deles e achei extremamente prejorativo a forma como alguns dos seus simpatizantes, se dirigiram à contratação do seu novo treinador, na imagem, Prof. José Guilherme. Acho engraçado que hoje em dia se julguem os treinadores por onde eles treinaram, por onde eles passaram, que idade têem, etc, etc, No meu caso, avalio as escolhas com o facto de se ter ou não competência, porque resultados, hoje em dia poucos podem prometer, agora competência ou se tem, ou não. A maioria do adepto comum, julga um treinador pelos resultados, nem tanto por aquilo que faz, pelas condições de trabalho (se tem ou não) ou se tem uma boa metodologia de treino. Não! O que interessa é saber se tem resultados pelas anteriores passagens, senão tiver, é riscado, é fraco. Exemplo disso mesmo, foi a contratação a época passada pela Académica, de André Villas Boas, com os resultados que se conhecem hoje em dia, pela forma como conseguiu colocar a Académica a jogar, estando hoje já no patamar em que está e com uma margem de crescimento fortíssima, para alguém ainda tão jovem. Não conheço pessoalmente o Prof. José Guilherme, apesar de gostar, mas tenho conhecimento das suas ideias, sei que é um mestre e dos melhores na área do treino, e é alguém com uma forte forte capacidade. Não estou aqui em sua defesa, mas acho que às vezes convém à maioria do adepto comum, ser mais informado, ter mais consciência daquilo que se diz. Como disse, ninguém pode ou deve prometer resultados, agora, competência ou se tem, ou não. O tempo, encarregar-se-á de dar razão a quem sabe.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Organização... ou falta dela?

Começo por esclarecer, que nada tenho contra Paulo Sérgio, como homem ou treinador, mas tenho que referir que a situação em que o Sporting a nível futebolístico se encontra, em muito se deve ao seu treinador (atenção, a quota maior da culpa, não lhe deve ser, ainda assim, imputada). Todos temos conhecimento das limitações do Sporting enquanto clube e enquanto equipa. Não me parece razoável, usar-se essa desculpa para encobrir outros erros, que é isso que tem acontecido. Em termos técnico-tácticos, a equipa vive numa sombra. Quer-me parecer, que já nem os jogadores sabem o que têm treinado, pelo menos é isso que aparenta quando vemos um jogo do Sporting. Paulo Sérgio, ao querer construir a sua organização, não pode nunca chegar a Dezembro sem a mesma assimilada, com muitas dúvidas, muitas alterações de sistema, que só prejudicam as próprias rotinas da equipa. O ser humano é feito de hábitos, não pode estar constantemente em mutação e é isso que acontece no Sporting, porque se analisarmos, o Sporting tem jogadores e equipa para fazer melhor do que tem feito, mas observando-se um jogo nota-se que a equipa não tem uma organização sustentada, um trabalho de base que possa ser analisado. Nada. E isto choca-me, sobretudo ver isto numa equipa grande, com ambições notórias. Uma equipa que num dia joga em 1.4.3.3, no outro em 1.4.4.2, no outro em 1.4.2.3.1 e já andou pelo 1.4.4.2 losango, não se pode considerar uma equipa, é um conjunto de bons rapazes sem uma ideia definida. E isto meus caros, é responsabilidade do treinador. Porque um treinador que, apesar de me parece um bom líder, demonstra pouca segurança nas suas ideias, passa uma má imagem aos seus comandados e isso repercute-se no rendimento da equipa. Disse Paulo Sérgio na sua apresentação qualquer coisa como "Os sistemas podem mudar, os príncipios de jogo é que não mudam, são sempre os mesmos". Serão Paulo Sérgio? Têm sido?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O pouco tempo para treinar e a escolha do que se deve treinar

É assunto interessante de ser debatido. Um dos maiores problemas do treinador, é ele achar que tem sempre pouco tempo ou tempo insuficiente para preparar a sua equipa. Fica sempre qualquer coisa na nossa mente que nos possa ter escapado, daí o critério do treinador na preparação das suas unidades de treino em focar-se no que é mais importante de se treinar, na escolha criteriosa do que se deve treinar. Ouvi isto da boca de Rui Faria numa qualquer entrevista e documentário e concordei de imediato. Ora, se isto é um pouco assim na área do Alto Rendimento e seria sempre, independentemente de tudo, o que dizer na formação quando se treina apenas três vezes por semana? (falando eu no meu caso pessoal). Aqui sim, é extremamente importante reflectir-se bem sobre o que se deve fazer, ou o que é mais importante preparar durante a semana de treino. Não sei se me estou a fazer entender, ou estará demasiado confuso. O meu caso pessoal é sintomático: treino uma equipa de iniciados, três vezes por semana e tenho sempre estas dores de cabeça comigo, porque sinto que há sempre algo que fica por preparar, por treinar, mas devido à falta de tempo, tenho que ser criterioso e do meu critério, depende sempre o sucesso ou insucesso da organização da minha equipa, mas este é de facto, um dos problemas que encontro hoje em dia para com os treinadores. Seja em Alto Rendimento, seja a um nível mais amador, o treinador terá sempre pouco tempo para ter a sua equipa a 'top', como a pretende. Daí ter que ser organizado, ser criterioso e capaz de resolver os problemas que lhe aparecem.