sábado, 31 de julho de 2010

A moda do "eu é que sei"

Aqui.

Sinceramente custa-me a compreender este tipo de declarações. Quer dizer, não me surpreende, mas custa-me a ler e ouvir. Hoje em dia a classe de treinadores de futebol profissional é muito pouco unida. Cada um opina sobre o quer que seja em relação ao trabalho de outros colegas, normalmente quando as coisas correm menos bem. Não é incorrecto se se souber o que comentar, o que é menos correcto é colocar-se no papel do seleccionador neste caso, e dizer o que se faria. Mas isto por fora, sempre por fora. Lá dentro, vivendo as situações se calhar as coisas não são assim tão lineares. Que se refira em abono da verdade que não estou a defender Carlos Queiroz, mas acho que nesta fase tudo bate no ceguinho como forma de o empurrarem lá para fora. É desprestigiante na minha opinião e não é assim que se deveriam resolver as situações, mas... estamos em Portugal.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um olhar sobre a pré-época - FC Porto 2010/2011


Novo ciclo nos azuis e brancos, nova e jovem estrutura técnica, novo estilo de jogo, diferente metodologia de treino. André Villas Boas assume-se como o treinador mais jovem a orientar a equipa azul e branca, numa clara mudança de paradigma em relação ao que tem sido os últimos anos.

A esperança é elevada dos adeptos do futebol para perceber se efectivamente Villas Boas é alguém que segue o trilho do seu mestre José Mourinho. Na cabeça dos adeptos azuis e brancos está e estará sempre este estigma, cujo o jovem treinador já recusou liminarmente. Parece-me a mim, que muitos anos ao lado do melhor treinador do mundo, com vivências de várias culturas de futebol e uma metodologia de treino muito admirada neste mundo do futebol, denominada de Periodização Táctica, são cabeças de cartaz da sua qualidade.

Nestes primeiros tempos, tem sido fiel às suas convicções. Gosta do 1-4-3-3 e se o utilizou na Académica, fá-lo no FC Porto, onde diga-se, tem jogadores para exprimir a sua qualidade. Adepto da posse, da velocidade e qualidade da circulação de bola, mas também de uma ideia de jogo atacante, agressiva, mandona, tem procurado incutir esse estilo na sua equipa. A tarefa não parece fácil sobretudo se atendermos aos príncipios e rotinas que esta equipa mantinha de à quatro anos atrás, com cultura vencedora, fazendo base nas transições rápidas e com simplicidade de processos no seu futebol com resultados à vista.

Este Porto é pois, diferente. Quer ter a bola, define zonas de pressão, usa e abusa da circulação com o objectivo de desposicionar o adversário, mas ao mesmo tempo evitando desgastar-se propositadamente. É uma proposta de futebol mais paciente e que quer ser agressivo, eficaz e espectacular. Villas Boas é adepto da pressão alta e da sua linha defensiva subida, mas confesso que daquilo que tenho visto, não me parece muito enfocado ainda nesse aspecto, ou então não está bem sistematizado.

A entrada de João Moutinho assume-se crucial para aquilo que Villas Boas quer propõr. Com a provável saída de Meireles, o trio de meio campo dificilmente não andará muito longe de Fernando-Moutinho-Ruben Micael, com estes dois últimos a serem donos da bola em zonas mais interiores do terreno. Hulk parece-me (e bem) que será novamente potenciado sobre o corredor direito, com o lateral desse mesmo corredor a assegurar a profundidade que me parece que o brasileiro pouco dará, pois usará as suas diagonais o seu poder de fogo para poder aparecer e desequilibrar.

Penso ainda que nesta proposta de jogo, requer-se a utilização de centrais com capacidade para sair a jogar e que tenham qualidade de passe curto ou mais directo. Neste sentido, tirando Bruno Alves, não descortino muitas capacidades aos outros centrais para este tipo de missão, embora Rolando tenha como sempre, cumprido.

Veremos pois, como irá evoluir a equipa azul e branca. De jogo para jogo parece querer crescer, estar mais perto de assimilar os conceitos e as convicções do seu treinador, mas terá já o seu primeiro teste à sua fase de construção e crescimento no próximo dia 7 de Agosto, num embate que será particularmente interessante de seguir frente ao campeão Benfica, mas para já os primeiros sinais têm sido satisfatórios. Veremos como será daqui em diante.

sábado, 24 de julho de 2010

Imagem da semana (nova rúbrica)


Campeão Espanhol, FC Barcelona regressou ao trabalho no início desta semana e Pep Guardiola, como sempre, bastante interventivo para com os seus jogadores que o ouvem atentamente. Prevê-se uma temporada bastante interessante em Espanha.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Futebol de Formação: Técnica Individual x Vivenciar o jogo?

Uma das grandes batalhas de quem anda no futebol de formação, no seu ensino e no treino. O mais importante. O aprimorar, o ensinar ou o praticar a técnica individual ou tornar o jovem mais capaz através do conhecimento do jogo em treino aprimorando aspectos mais gerais como posicionamentos em campo, etc, etc. Na minha opinião, as duas. 

Vivemos hoje em dia em que muitas pessoas são da opinião que os treinadores de futebol de formação devem dar primazia ao ensino da técnica individual na sua metodologia de treino. É uma opinião. É importante termos bons conhecimentos técnicos para depois sabermos passar o nosso mesmo conhecimento aos nossos comandados. Mas questiono: não será tão mais importante no processo de treino, a enraização de determinados comportamentos que se podem confrontar no jogo? Não é preparar o nosso atleta para a tomada de decisão que se lhe pode surgir? Não é importante dotarmos o nosso atleta do conhecimento que deve ter em certos momentos do jogo? Obviamente, depende da idade que treinamos porque em crianças com 7/8 anos não poderemos usar e abusar deste aspecto, mas creio que, em competição, é importante sabermos que os miúdos aprendem tanto ou talvez mais em treino em situações de jogo que lhes possam surgir, do que exercícios isolados só no treino da técnica individual.

Pessoalmente, respeitando todas as opiniões, não concordo com isso. O treino deve ser o mais aproximado possível do jogo, tentando condicionar o mesmo com exercícios que possam melhorar quer individual quer colectivamente o nosso rendimento. Que me adianta treinar passes frente a frente, ou contornar cones em condução de bola, quando isso não acontece no jogo? Nada. É um assunto interessante a debater. Se possível gostava de escutar as vossas opiniões.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Rui Faria


O protótipo da competência em modo discreto. Muito do sucesso de José Mourinho, passa também e muito pela competência, sabedoria e talento deste homem. Rui Faria, alguém cuja popularidade passa despercebida mas não aos olhos de quem analisa e tenta perceber o treino. Muitos dizem que José Mourinho tem muito sucesso à custa do seu colaborador. Verdade. Um grande treinador deve-se rodear também de pessoas competentes e Mourinho mais do que ninguém o sabe. Dos vários livros que tenho lido, gosto de ler Rui Faria, porque é alguém que, não obstante a linguagem um pouco mais complexa sobre o treino, simplifica sempre a sua mensagem naquilo que pretende passar. Acredito que mais cedo ou mais tarde esta dupla se irá separar e Rui Faria seguirá o caminho da independência, o seu próprio caminho (consta-se até que era a primeira opção do FCPorto para o seu comando técnico, tendo preferido manter-se na estrutura) ao qual acredito será de sucesso. Poucas entrevistas se lhe conhecem, poucas aparições em público, ou seja, um limiar de descrição que é de louvar. Recorde-se que Rui Faria começou muito novo, com 25 anos já começava a estar no top. Hoje, tem passagens entre outros por Chelsea, Inter e Real Madrid. Dizem que de mão dada com o chefe. Verdade. Mas o chefe também não saberia "viver" sem ele. E não se caia no erro de lhe chamarem constantemente preparador físico. Constava no site do Inter na sua identificação, consta agora no do Real Madrid. Nada mais incorrecto. Na metodologia de José Mourinho, não há o termo preparador físico. É a Periodização Táctica no seu melhor que agora chega a Madrid.

Curso II Nível UEFA-B

Terminei com aproveitamento o curso de II nível de Treinador de Futebol, no passado mês de Junho. Acho importante para a minha evolução como treinador recolher o máximo de ensinamentos e no fundo, poder formar-me cada vez mais para ter outro tipo de oportunidades no futebol. Sou daquelas pessoas que nunca se cansa de aprender, e às vezes até numa simples conversa se aprende bastante ou se retiram coisas novas. Futebol é uma das minhas paixões e o seu estudo, idem. Por isso, creio que nunca me vou cansar de o discutir, porque apesar de ser um desporto global, há detalhe atrás de detalhe prestes a ser descoberto.

Voltando ao tema, gostei destes meses de curso. Bastante intensos, com algum prejuízo da nossa vida pessoal e do nosso descanso em alguns momentos, mas é nesta altura em que já o concluímos que sabemos que concretizamos o objectivo e que o esforço valeu a pena. Gostei de rever alguns prelectores, pessoas com grandes conhecimentos, mas que com a sua humildade, simpatia e bom ambiente, sempre nos trouxeram alguns bons momentos. Acredito que algumas das matérias pudessem ser revistas, para não haver repetição com algumas do I Nível, mas em suma, creio que tivemos sempre boas sensações. O dever e o prazer está cumprido, mas o tempo não pára. Quero crescer mais como treinador, dar passos certos, sustentados e mostrar qualidade de trabalho para poder ir subindo, evoluíndo... no fundo o desejo de qualquer treinador. Por agora, dever cumprido.