quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Juízos (fracos) de valor


Este 'post' serve um pouco de reacção aos juízos de valor que as pessoas sem conhecimento da realidade do mundo do 'treinador', fazem à contratação de determinados treinadores para os seus clubes. Costumo dar algum ênfase e alguma importância à vida diária de clubes pelos quais sinto algum apreço e a Académica, surge como um deles e achei extremamente prejorativo a forma como alguns dos seus simpatizantes, se dirigiram à contratação do seu novo treinador, na imagem, Prof. José Guilherme. Acho engraçado que hoje em dia se julguem os treinadores por onde eles treinaram, por onde eles passaram, que idade têem, etc, etc, No meu caso, avalio as escolhas com o facto de se ter ou não competência, porque resultados, hoje em dia poucos podem prometer, agora competência ou se tem, ou não. A maioria do adepto comum, julga um treinador pelos resultados, nem tanto por aquilo que faz, pelas condições de trabalho (se tem ou não) ou se tem uma boa metodologia de treino. Não! O que interessa é saber se tem resultados pelas anteriores passagens, senão tiver, é riscado, é fraco. Exemplo disso mesmo, foi a contratação a época passada pela Académica, de André Villas Boas, com os resultados que se conhecem hoje em dia, pela forma como conseguiu colocar a Académica a jogar, estando hoje já no patamar em que está e com uma margem de crescimento fortíssima, para alguém ainda tão jovem. Não conheço pessoalmente o Prof. José Guilherme, apesar de gostar, mas tenho conhecimento das suas ideias, sei que é um mestre e dos melhores na área do treino, e é alguém com uma forte forte capacidade. Não estou aqui em sua defesa, mas acho que às vezes convém à maioria do adepto comum, ser mais informado, ter mais consciência daquilo que se diz. Como disse, ninguém pode ou deve prometer resultados, agora, competência ou se tem, ou não. O tempo, encarregar-se-á de dar razão a quem sabe.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Organização... ou falta dela?

Começo por esclarecer, que nada tenho contra Paulo Sérgio, como homem ou treinador, mas tenho que referir que a situação em que o Sporting a nível futebolístico se encontra, em muito se deve ao seu treinador (atenção, a quota maior da culpa, não lhe deve ser, ainda assim, imputada). Todos temos conhecimento das limitações do Sporting enquanto clube e enquanto equipa. Não me parece razoável, usar-se essa desculpa para encobrir outros erros, que é isso que tem acontecido. Em termos técnico-tácticos, a equipa vive numa sombra. Quer-me parecer, que já nem os jogadores sabem o que têm treinado, pelo menos é isso que aparenta quando vemos um jogo do Sporting. Paulo Sérgio, ao querer construir a sua organização, não pode nunca chegar a Dezembro sem a mesma assimilada, com muitas dúvidas, muitas alterações de sistema, que só prejudicam as próprias rotinas da equipa. O ser humano é feito de hábitos, não pode estar constantemente em mutação e é isso que acontece no Sporting, porque se analisarmos, o Sporting tem jogadores e equipa para fazer melhor do que tem feito, mas observando-se um jogo nota-se que a equipa não tem uma organização sustentada, um trabalho de base que possa ser analisado. Nada. E isto choca-me, sobretudo ver isto numa equipa grande, com ambições notórias. Uma equipa que num dia joga em 1.4.3.3, no outro em 1.4.4.2, no outro em 1.4.2.3.1 e já andou pelo 1.4.4.2 losango, não se pode considerar uma equipa, é um conjunto de bons rapazes sem uma ideia definida. E isto meus caros, é responsabilidade do treinador. Porque um treinador que, apesar de me parece um bom líder, demonstra pouca segurança nas suas ideias, passa uma má imagem aos seus comandados e isso repercute-se no rendimento da equipa. Disse Paulo Sérgio na sua apresentação qualquer coisa como "Os sistemas podem mudar, os príncipios de jogo é que não mudam, são sempre os mesmos". Serão Paulo Sérgio? Têm sido?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O pouco tempo para treinar e a escolha do que se deve treinar

É assunto interessante de ser debatido. Um dos maiores problemas do treinador, é ele achar que tem sempre pouco tempo ou tempo insuficiente para preparar a sua equipa. Fica sempre qualquer coisa na nossa mente que nos possa ter escapado, daí o critério do treinador na preparação das suas unidades de treino em focar-se no que é mais importante de se treinar, na escolha criteriosa do que se deve treinar. Ouvi isto da boca de Rui Faria numa qualquer entrevista e documentário e concordei de imediato. Ora, se isto é um pouco assim na área do Alto Rendimento e seria sempre, independentemente de tudo, o que dizer na formação quando se treina apenas três vezes por semana? (falando eu no meu caso pessoal). Aqui sim, é extremamente importante reflectir-se bem sobre o que se deve fazer, ou o que é mais importante preparar durante a semana de treino. Não sei se me estou a fazer entender, ou estará demasiado confuso. O meu caso pessoal é sintomático: treino uma equipa de iniciados, três vezes por semana e tenho sempre estas dores de cabeça comigo, porque sinto que há sempre algo que fica por preparar, por treinar, mas devido à falta de tempo, tenho que ser criterioso e do meu critério, depende sempre o sucesso ou insucesso da organização da minha equipa, mas este é de facto, um dos problemas que encontro hoje em dia para com os treinadores. Seja em Alto Rendimento, seja a um nível mais amador, o treinador terá sempre pouco tempo para ter a sua equipa a 'top', como a pretende. Daí ter que ser organizado, ser criterioso e capaz de resolver os problemas que lhe aparecem.

domingo, 5 de setembro de 2010

O duelo 2010/2011



A nível da classe de treinadores, será o duelo mais apetecível desta época. Dois treinadores que a maioria aprecia e admira, mas com estilos distintos, personalidades distintas, metodologias de treino distintas, mas creio, a mesma sede e ambição de vencer. De um lado Pep Guardiola, homem que chegou viu e venceu desde que se sentou no banco do Barcelona. Figura afável, simpática e com palavras sempre optimistas, é um líder nato e isso viu-se nas dispensas de Eto'o e Ibrahimovic. Do outro José Mourinho, provavelmente o melhor treinador do mundo. Figura incontornável no futebol, pela sua maneira de estar, pela sua sede de vitórias, pelo seu protagonismo, pela forma como vence, vence e vence, sempre por onde passa. É um líder, um vencedor nato. Por isto e por outras coisas, o duelo em Espanha será muito mais que um Barcelona x Real Madrid, mas também um Pep Guardiola x José Mourinho. Quem levará a melhor?

sábado, 4 de setembro de 2010

A construção de uma organização: Iniciados 2010/2011

Tem sido engraçado este início de uma nova fase enquanto treinador, agora no futebol dito mais realista, que todos vemos e gostamos. Um novo clube, uma nova idade, mentalidades distintas, mas uma vontade enorme de fazer as coisas bem. Convenhamos que não é fácil. Os miúdos abandonam o futebol 7, para o futebol 11, com a dimensão do campo bem maior, com outro tipo de abordagem ao jogo, com novos posicionamentos, uma organização diferente, o que torna o trabalho do treinador, neste caso eu, em início de trabalhos, com uma dose de dificuldade elevada.

Como referi acima, tem sido engraçado e o desafio em si, é aliciante. Tornar uma equipa organizada, competitiva, agressiva e intensa, é o meu principal objectivo. Haverá sempre uma luta um pouco desigual em termos de competição em relação à diferenciação de idades, mas quero combater isso com as armas que possuímos e que creio, me têem dado boas indicações. Levo duas semanas completas de treino, os atletas já sabem como pretendemos jogar e quais serão por assim dizer, os nossos grandes princípios, mas agora falta o mais importante: solidificá-los. Como referi acima, tenho uma ideia muito própria do estilo de jogo que pretendo implementar, e por aquilo que tenho visto, creio que temos condições para impôr essa mesma identidade. O caminho faz-se caminhando e é preciso que haja paciência e se acredite, de maneira realista e nunca embandeirada, no trabalho que se está a realizar.

Eu como treinador, tenho que acreditar em mim próprio e no que posso desenvolver. Se algum dia acontecer o contrário, pois não posso ser treinador de futebol.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um passo de gigante e um desafio ainda maior

Vida nova, clube novo e um passo de gigante na minha ainda curta carreira (se é que se pode chamar assim). Depois de um primeiro ano como treinador de escolas, eis que surge uma proposta para treinar uma equipa de iniciados. Foi o terminar de um misto de ansiedade que andava na minha cabeça em torno do meu futuro desportivo enquanto treinador, mas felizmente ficou tudo resolvido e posso encarar esta nova etapa com maior tranquilidade.

Pessoalmente, extremamente grato pelo convite endereçado e por acreditarem que posso ser capaz de fazer um bom trabalho à frente do escalão. Evidentemente que as vivências são diferentes em absoluto. Uma nova idade, uma entrada no futebol de 11, uma nova liderança e uma nova voz de comando e no fundo, uma boa competência espera-se. Estou extremamente expectante. Já começei a preparar a minha própria organização, a analisar possíveis unidades de treino, etc, etc.

Evidentemente que agora o trabalho é maior, a organização é diferente e porque não dizê-lo, a motivação bem maior. Espero que tudo corra bem. Terei motivação e dedicação máximas a esta nova causa, uma causa que me enche de enorme satisfação e crença. Sei também que a minha exposição será maior e terei uma pressão bem maior aquela que sentia, mas sinto-me confortável com isso. Se assim não fosse, não teria piada.

Por fim, quero agradecer publicamente ao meu antigo clube e às pessoas que sempre estiveram do meu lado, por tudo o que me proporcionaram e me deram enquanto os representei. Foi um orgulho enorme e estou-lhes imenso grato. Desejo que possam resolver todas as suas questões pendentes e que possam seguir no rumo que merecem.

Por ora, dia 21 começa uma nova era. Com força, com vontade, e sobretudo com uma dedicação e um gosto maior. Que a sorte me acompanhe.

domingo, 1 de agosto de 2010

Imagem da semana


A emoção da despedida de Raúl do Real Madrid. Mais do que um símbolo madridista, despede-se um senhor do futebol da sua casa de sempre. Protótipo do jogador profissional, com uma conduta extremamente correcta ao longo da sua carreira (mesmo na sua fase descendente no Real Madrid, nunca se ouviu uma palavra depreciativa da sua boca), despediu-se de uma casa que será eternamente sua e onde nos maravilhou, a nós adeptos, com momentos de alto nível e de um futebol bonito e elegante cujo o seu nome fará sempre parte. Será certamente feliz na sua nova aventura alemã, onde terá oportunidade de continuar a mostrar que quem sabe, nunca esquece.

sábado, 31 de julho de 2010

A moda do "eu é que sei"

Aqui.

Sinceramente custa-me a compreender este tipo de declarações. Quer dizer, não me surpreende, mas custa-me a ler e ouvir. Hoje em dia a classe de treinadores de futebol profissional é muito pouco unida. Cada um opina sobre o quer que seja em relação ao trabalho de outros colegas, normalmente quando as coisas correm menos bem. Não é incorrecto se se souber o que comentar, o que é menos correcto é colocar-se no papel do seleccionador neste caso, e dizer o que se faria. Mas isto por fora, sempre por fora. Lá dentro, vivendo as situações se calhar as coisas não são assim tão lineares. Que se refira em abono da verdade que não estou a defender Carlos Queiroz, mas acho que nesta fase tudo bate no ceguinho como forma de o empurrarem lá para fora. É desprestigiante na minha opinião e não é assim que se deveriam resolver as situações, mas... estamos em Portugal.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um olhar sobre a pré-época - FC Porto 2010/2011


Novo ciclo nos azuis e brancos, nova e jovem estrutura técnica, novo estilo de jogo, diferente metodologia de treino. André Villas Boas assume-se como o treinador mais jovem a orientar a equipa azul e branca, numa clara mudança de paradigma em relação ao que tem sido os últimos anos.

A esperança é elevada dos adeptos do futebol para perceber se efectivamente Villas Boas é alguém que segue o trilho do seu mestre José Mourinho. Na cabeça dos adeptos azuis e brancos está e estará sempre este estigma, cujo o jovem treinador já recusou liminarmente. Parece-me a mim, que muitos anos ao lado do melhor treinador do mundo, com vivências de várias culturas de futebol e uma metodologia de treino muito admirada neste mundo do futebol, denominada de Periodização Táctica, são cabeças de cartaz da sua qualidade.

Nestes primeiros tempos, tem sido fiel às suas convicções. Gosta do 1-4-3-3 e se o utilizou na Académica, fá-lo no FC Porto, onde diga-se, tem jogadores para exprimir a sua qualidade. Adepto da posse, da velocidade e qualidade da circulação de bola, mas também de uma ideia de jogo atacante, agressiva, mandona, tem procurado incutir esse estilo na sua equipa. A tarefa não parece fácil sobretudo se atendermos aos príncipios e rotinas que esta equipa mantinha de à quatro anos atrás, com cultura vencedora, fazendo base nas transições rápidas e com simplicidade de processos no seu futebol com resultados à vista.

Este Porto é pois, diferente. Quer ter a bola, define zonas de pressão, usa e abusa da circulação com o objectivo de desposicionar o adversário, mas ao mesmo tempo evitando desgastar-se propositadamente. É uma proposta de futebol mais paciente e que quer ser agressivo, eficaz e espectacular. Villas Boas é adepto da pressão alta e da sua linha defensiva subida, mas confesso que daquilo que tenho visto, não me parece muito enfocado ainda nesse aspecto, ou então não está bem sistematizado.

A entrada de João Moutinho assume-se crucial para aquilo que Villas Boas quer propõr. Com a provável saída de Meireles, o trio de meio campo dificilmente não andará muito longe de Fernando-Moutinho-Ruben Micael, com estes dois últimos a serem donos da bola em zonas mais interiores do terreno. Hulk parece-me (e bem) que será novamente potenciado sobre o corredor direito, com o lateral desse mesmo corredor a assegurar a profundidade que me parece que o brasileiro pouco dará, pois usará as suas diagonais o seu poder de fogo para poder aparecer e desequilibrar.

Penso ainda que nesta proposta de jogo, requer-se a utilização de centrais com capacidade para sair a jogar e que tenham qualidade de passe curto ou mais directo. Neste sentido, tirando Bruno Alves, não descortino muitas capacidades aos outros centrais para este tipo de missão, embora Rolando tenha como sempre, cumprido.

Veremos pois, como irá evoluir a equipa azul e branca. De jogo para jogo parece querer crescer, estar mais perto de assimilar os conceitos e as convicções do seu treinador, mas terá já o seu primeiro teste à sua fase de construção e crescimento no próximo dia 7 de Agosto, num embate que será particularmente interessante de seguir frente ao campeão Benfica, mas para já os primeiros sinais têm sido satisfatórios. Veremos como será daqui em diante.

sábado, 24 de julho de 2010

Imagem da semana (nova rúbrica)


Campeão Espanhol, FC Barcelona regressou ao trabalho no início desta semana e Pep Guardiola, como sempre, bastante interventivo para com os seus jogadores que o ouvem atentamente. Prevê-se uma temporada bastante interessante em Espanha.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Futebol de Formação: Técnica Individual x Vivenciar o jogo?

Uma das grandes batalhas de quem anda no futebol de formação, no seu ensino e no treino. O mais importante. O aprimorar, o ensinar ou o praticar a técnica individual ou tornar o jovem mais capaz através do conhecimento do jogo em treino aprimorando aspectos mais gerais como posicionamentos em campo, etc, etc. Na minha opinião, as duas. 

Vivemos hoje em dia em que muitas pessoas são da opinião que os treinadores de futebol de formação devem dar primazia ao ensino da técnica individual na sua metodologia de treino. É uma opinião. É importante termos bons conhecimentos técnicos para depois sabermos passar o nosso mesmo conhecimento aos nossos comandados. Mas questiono: não será tão mais importante no processo de treino, a enraização de determinados comportamentos que se podem confrontar no jogo? Não é preparar o nosso atleta para a tomada de decisão que se lhe pode surgir? Não é importante dotarmos o nosso atleta do conhecimento que deve ter em certos momentos do jogo? Obviamente, depende da idade que treinamos porque em crianças com 7/8 anos não poderemos usar e abusar deste aspecto, mas creio que, em competição, é importante sabermos que os miúdos aprendem tanto ou talvez mais em treino em situações de jogo que lhes possam surgir, do que exercícios isolados só no treino da técnica individual.

Pessoalmente, respeitando todas as opiniões, não concordo com isso. O treino deve ser o mais aproximado possível do jogo, tentando condicionar o mesmo com exercícios que possam melhorar quer individual quer colectivamente o nosso rendimento. Que me adianta treinar passes frente a frente, ou contornar cones em condução de bola, quando isso não acontece no jogo? Nada. É um assunto interessante a debater. Se possível gostava de escutar as vossas opiniões.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Rui Faria


O protótipo da competência em modo discreto. Muito do sucesso de José Mourinho, passa também e muito pela competência, sabedoria e talento deste homem. Rui Faria, alguém cuja popularidade passa despercebida mas não aos olhos de quem analisa e tenta perceber o treino. Muitos dizem que José Mourinho tem muito sucesso à custa do seu colaborador. Verdade. Um grande treinador deve-se rodear também de pessoas competentes e Mourinho mais do que ninguém o sabe. Dos vários livros que tenho lido, gosto de ler Rui Faria, porque é alguém que, não obstante a linguagem um pouco mais complexa sobre o treino, simplifica sempre a sua mensagem naquilo que pretende passar. Acredito que mais cedo ou mais tarde esta dupla se irá separar e Rui Faria seguirá o caminho da independência, o seu próprio caminho (consta-se até que era a primeira opção do FCPorto para o seu comando técnico, tendo preferido manter-se na estrutura) ao qual acredito será de sucesso. Poucas entrevistas se lhe conhecem, poucas aparições em público, ou seja, um limiar de descrição que é de louvar. Recorde-se que Rui Faria começou muito novo, com 25 anos já começava a estar no top. Hoje, tem passagens entre outros por Chelsea, Inter e Real Madrid. Dizem que de mão dada com o chefe. Verdade. Mas o chefe também não saberia "viver" sem ele. E não se caia no erro de lhe chamarem constantemente preparador físico. Constava no site do Inter na sua identificação, consta agora no do Real Madrid. Nada mais incorrecto. Na metodologia de José Mourinho, não há o termo preparador físico. É a Periodização Táctica no seu melhor que agora chega a Madrid.

Curso II Nível UEFA-B

Terminei com aproveitamento o curso de II nível de Treinador de Futebol, no passado mês de Junho. Acho importante para a minha evolução como treinador recolher o máximo de ensinamentos e no fundo, poder formar-me cada vez mais para ter outro tipo de oportunidades no futebol. Sou daquelas pessoas que nunca se cansa de aprender, e às vezes até numa simples conversa se aprende bastante ou se retiram coisas novas. Futebol é uma das minhas paixões e o seu estudo, idem. Por isso, creio que nunca me vou cansar de o discutir, porque apesar de ser um desporto global, há detalhe atrás de detalhe prestes a ser descoberto.

Voltando ao tema, gostei destes meses de curso. Bastante intensos, com algum prejuízo da nossa vida pessoal e do nosso descanso em alguns momentos, mas é nesta altura em que já o concluímos que sabemos que concretizamos o objectivo e que o esforço valeu a pena. Gostei de rever alguns prelectores, pessoas com grandes conhecimentos, mas que com a sua humildade, simpatia e bom ambiente, sempre nos trouxeram alguns bons momentos. Acredito que algumas das matérias pudessem ser revistas, para não haver repetição com algumas do I Nível, mas em suma, creio que tivemos sempre boas sensações. O dever e o prazer está cumprido, mas o tempo não pára. Quero crescer mais como treinador, dar passos certos, sustentados e mostrar qualidade de trabalho para poder ir subindo, evoluíndo... no fundo o desejo de qualquer treinador. Por agora, dever cumprido.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Balanço pessoal da época 2009/2010


Quando iniciei a minha aventura nas lides do treino, sabia que a época iria ser longa e que durante a mesma teria oportunidade de aprofundar mais os meus conhecimentos. Há muito por onde se estudar, por onde se pesquisar, no fundo, por onde evoluir e o futebol e suas disciplinas subjacentes é um mundo à parte. Assim aconteceu. Assumi o comando técnico de uma equipa de futebol de formação, sítio indicado para começar e aí começou a minha caminhada. Hoje, posso dizer que sei mais do que ontem. Tive oportunidade de partilhar experiências, colocar perguntas, provocar o debate e assim poder colher mais aquilo que pretendia. Pessoalmente, considero esta época extremamente positiva e nem é por ter conseguido a melhor classificação de sempre com esta equipa, mas porque pude colocar em prática as minhas ideias, trazer uma nova metodologia de treino e novas formas de o abordar tal e qual como a competição e porque juntos, eu, o meu colaborador, os miúdos e os seus pais, conseguimos partilhar de uma comunhão imensa, ao qual se juntou um ambiente de profunda união em torno da equipa, como se comprovou ao longo de uma temporada. Costuma-se dizer que os jogadores ao início gostam de tomar o pulso e fazer valer as competências e fragilidades do seu líder. Neste caso, dada a idade dos miúdos, foram os pais que provavelmente tiveram essa oportunidade. Sinto-me muito satisfeito. Dei tudo de mim, trouxe novos métodos, um ar muito personalizado, uma nova forma de pensar o jogo e o próprio futebol e isso em muitas ocasiões notou-se. Acho que uma das imagens que trarei sempre comigo, será o discurso que os pais dos miúdos e os próprios miúdos, gritando para eu ficar, tiveram para comigo. Nunca esquecerei tamanhas palavras, senti-me bastante emocionado a ouvi-las. Agora, provavelmente começará uma nova era. Espero ter uma nova oportunidade de continuar a evoluir activamente, ou seja, ao comando de uma equipa. Sinto-me forte, preparado e capaz para assumir todos os desafios. Se eu não tiver confiança em mim mesmo, ninguém a terá. Quando é o meu próximo treino? Não sei... mas sei que já tenho muitas saudades da preparação, da organização e do comando do treino.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A criação de exercícios por parte do treinador

Quantos de nós, treinadores, ao assumirmos uma equipa, depois de analisarmos a matéria prima que dispomos (leia-se jogadores e suas características) e como poderemos colocar a equipa a jogar, não somos quase que "obrigados" à criação e desenho dos nossos próprios exercícios, em consonância com aquilo que pretendemos para a nossa forma de jogar? Bem sei que há várias formas de abordar o treino, metodologias diferentes, o que é sempre bom e de louvar, pois leva-nos à discussão e ao debate, apesar de nunca podermos chegar a uma resposta conclusiva. Eu pessoalmente, acredito que devo treinar sobretudo a forma como a minha equipa quer e deve jogar, da forma que eu entendo e por isso, a forma como pratico os meus e exercícios, está dentro dessa medida, desde o aquecimento até ao fim, sempre em consonância com a forma como quero jogar. Obviamente, ao longo deste caminho, fui obrigado a usar a vertente mais criativa e se calhar a mais apelativa, na criação de novos exercícios, para certas e determinadas situações do treino. Acho esta, uma característica importante de um bom treinador. Estaria também a ser demasiado presunçoso e arrogante se dissesse que não tinha usado exercícios de outros treinadores. É mentira. Também o faço. Sobretudo se achar que o exercício é bom, pode trazer vantagens para o treino da minha equipa e está dentro da minha filosofia, porque não? Muitas vezes até acontece estar a ver um exercício, achá-lo super interessante, mas ficar só por aí, pois não acrescenta nada ao meu treino, assim como também existem casos em que adapto exercícios que já vi para aquilo que pretendo. Ser treinador é isto: é ser criativo, estar sempre um passo mais à frente, e sobretudo, saber que não sabe tudo. Todo o dia, é um dia novo de aprendizagem. O caminho deve ser esse.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Estou de volta (se o tempo me permitir)

Já cá não vinha a algum tempo, não por falta de vontade, mas por falta de tempo e disponibilidade para cá escrever e até tinha uma série de temas em mente para cá partilhar que tive que adiar devido ao facto da minha vida estar autenticamente preenchida desde o momento em que acordo. Tem sido assim nestes tempos e será assim sobretudo nos próximos dois meses, o que significa que se cá não tiver actualizações, não é por ter desistido deste espaço, é mesmo falta de tempo para escrever.

Quanto à minha actividade como treinador, as coisas têm seguido o seu rumo natural, estamos a entrar no último terço da temporada e a hora começa a ser de fazer balanços, tirar ilações, ver o que de bem se fez e o que se poderia ter melhorado, as coisas que conseguimos, os erros que cometemos, como será a próxima época, onde estarei, se estarei a treinar, etc, etc. No fundo, as preocupações diárias e normais de um treinador que tem que estar um passo à frente de tudo o que possa acontecer.

Esta pouca disponibilidade também me tem impedido de fortalecer a minha cultura em relação ao futebol através da leitura, estando por ler livros que comprei sobre a Periodização Táctica, modelo de treino de eleição com a qual estou identificado e no qual procurarei aprender sempre mais para poder colocar em prática com toda a exactidão e sobre a Defesa à Zona no Futebol, livro muito bem conseguido pelo Nuno Amieiro.

Prometo que sempre que tiver oportunidade, venho cá actualizar este espaço. Muito obrigado a todos os que têm cá passado e visitado este humilde espaço. 

Um abraço com consideração,

José Carlos

quarta-feira, 3 de março de 2010

Treinadores e diferentes posturas no treino

Ora aí está mais um tema a desenvolver e a merecer debate. Antes demais, peço desculpa pela minha ausência mas agora a minha vida tem estado bastante mais ocupada e tem sido extremamente complicado cá vir. Falando deste tema, parece-me merecer discussão. Como treinadores, qual acham que deve ser a postura mais correcta no treino? Mais activa ou mais passiva? Explicando um exercício e demonstrando-o ou só explicando, colocando os diferentes feedbacks conforme o seu desenvolvimento? Bom, não existem grandes segredos, mas acho que depende muito da forma como o próprio treinador interpreta as suas ideias e interpreta o seu próprio treino. Há treinadores mais activos, que gostam de mostrar a sua presença e o seu cunho pessoal, há outros mais observadores, mais silenciosos e mais passivos, nem sempre delegando em si a condução do treino, mas sim em seus colaboradores. Qual a vossa ideia sobre este assunto? Pessoalmente, gosto de estar activo no treino, fazer ouvir a minha voz sempre que ache pertinente, seja para explicar, motivar ou repreender quando for o caso, quando explico os exercícios, gosto de os demonstrar e fazer ver como acho que as coisas devem ser, ou seja, nem sempre me limito só a dar indicações, mas verdade seja dita, também depende dos exercícios, dos objectivos que queremos que o exercício tenha, etc, etc. Não existem fórmulas mágicas, há posturas e métodos e é nesse sentido que devemos discutir.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O objectivo do exercício - Importância de passar a mensagem


Penso que esta é uma temática importantíssima em relação ao treino. Quantos treinadores explicam certo e determinado exercício sem explicar que comportamentos pretende e que objectivo é que o mesmo tem para aquele momento? Acontece muitas vezes. Vejamos, uma coisa é explicarmos a dinâmica do exercício e da forma como ele se realiza, outra completamente diferente é para além disso, mostrar aos jogadores o porquê daquele exercício, que comportamentos se pretendem no mesmo, os objectivos do mesmo, etc, etc. A cada dia que passa, os jogadores sentem mais a necessidade de querer saber mais, de se questionarem sobre o que realizam no treino e em determinado exercício e neste aspecto, julgo ser importante o treinador estar bem preparado. Acho ainda mais importante este tipo de comunicação se atentarmos aos escalões de formação mais jovens, às crianças propriamente ditas. Porque lá está, mostramos a dinâmica de certo exercício a um miúdo, mas senão explicarmos nem mostrarmos o que pretendemos com certo tipo de comportamento, estou certo que na maioria dos miúdos, isto passam-lhes ao lado. Obviamente. Um miúdo de 10 anos ou mais ou menos, quer é uma bola no pé, quer é estar em contacto com o que mais gosta e pouco lhe faz diferença muitas das coisas que se treinam. Enquanto treinador já tive este erro, mas soube corrigi-lo bem a tempo, sobretudo quando denotava alguma falta de feedback nos miúdos. Hoje, não é bem assim e no fundo é mais uma plataforma de comunicação entre treinador e atletas e como treinadores, muitas vezes devemos estar abertos a sugestões mesmo dos próprios miúdos. Se dissermos a um miúdo que no exercício x, pretendemos que tenha certo tipo de comportamento para potenciar certo de tipo de acção no mesmo exercício, eles vão compreender e tentar tirar o melhor partido do que estão a praticar.

Qual a vossa opinião? Obrigado por visitarem, um abraço.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Série dos Últimos - Série A - Sorteio, calendário e análise

Já saiu o sorteio da nossa série, onde vamos participar nesta segunda fase da temporada. Aquilo que me apraz dizer, é que praticamente fomos a única equipa que mudou de uma série para a outra, encontrando agora equipas totalmente distintas em relação à outra série.

Encontraremos assim adversários como Fiães A, Vilamaiorense, SC Paivense, Espinho, Canedo, Argoncilhe e Relâmpago Nogueirense. Destes, destaco o maior conhecimento em relação ao Espinho, Vilamaiorense, Relâmpago Nogueirense e Argoncilhe com quem efectuamos jogos de preparação antes do início da temporada. No meu entender, não é um grupo muito fácil, aliás ainda bem que não o é, pois se juntarmos o favoritismo claro da equipa do Fiães, depois temos uma boa equipa que é o Espinho, o Vilamaiorense é também por si só uma equipa bem organizada e depois temos o Paivense que é uma incógnita e algo desconhecidos para nós, mas pelo que estive a analisar dos seus resultados e classificação, será também um osso duro de roer.

Quanto a nós, o objectivo é continuar a evolução crescente da equipa nos seus padrões colectivos e individuais e pensarmos sempre de semana a semana com o objectivo de entrar em cada campo para vencer, pois não sabemos nem treinamos para jogar de outra forma que não seja essa.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Final da 1ª fase - Balanço


Terminou ontem a primeira fase da competição onde estamos inseridos e é altura de fazer um pequeno resumo e um balanço mais detalhado da nossa participação nesta primeira metade.

O primeiro desafio

Quando encarei este meu primeiro desafio enquanto treinador, sabia que teria que colocar um cunho muito pessoal na equipa, não só porque queria que os miúdos se identificassem com uma nova forma de pensar, mas com um ar mais jovem, e com uma proximidade maior nas relações pessoais. Ao nível do treino, procurei trazer novos métodos, novas formas de abordar o treino conforme as minhas ideias e ao mesmo tempo, nunca deixar de evoluir, ler, aprender e ter a capacidade de aportar novas coisas ao nível do treino. Creio que hoje em dia, o treino na formação acaba por ser até mais importante que a competição em si, porque é no treino que desenvolvemos as aptidões que pretendemos, é onde passamos o maior número de informações que temos e a competição, é no fundo, o rebuçado de fim de semana, onde podemos ver os resultados práticos do que treinamos, sem esquecer a dita competição em si, no meu entender essencial já na formação.

Nível classificativo

Falando ao nível classificativo, como a imagem documenta, obtivemos um terceiro lugar, que não nos deu acesso à fase dos primeiros, ainda assim a nível estatístico, muita satisfação por termos sido o segundo melhor ataque e a segunda melhor defesa da competição, algo um pouco secundário que ainda assim me deixa bastante satisfeito. Claramente, creio que tivemos um pouco de má sorte ao apanharmos uma equipa com a qualidade do Feirense no nosso quadro competitivo, uma equipa que com as condições que tem e com a extrema ambição que patenta em todos os seus escalões de formação, é a equipa provavelmente mais forte do concelho e isso evidenciou-se ao nível da prova, não só pelos resultados obtidos, mas pela qualidade de jogo evidenciada, uma mentalidade vencedora bem vincada e tudo isso ajuda. 

Momentos cruciais

Pessoalmente, tenho a convicção que o nosso empate em Esmoriz foi decisivo para o desenrolar posterior da prova. Era o início da segunda volta, tínhamos expectativas elevadas a nível classificativo e a forma como consentimos o resultado menos positivo, deixou claras marcas no que restou da segunda volta, claramente irregular em relação à extremamente positiva primeira volta que realizamos. O embate com o Paços de Brandão em nossa casa, uma equipa também ela com bons valores individuais, traçou o nosso destino ao nível classificativo. Ao longo deste percurso, procurou-se dotar a equipa de uma identidade de jogo, criar-se uma própria identificação aos miúdos daquilo que era pretendido e penso que gradualmente, as coisas vão evoluíndo num sentido muito positivo. 

O papel dos Pais

Muitas vezes vistos como alguns obstáculos ao papel do treinador, é com muita satisfação que vejo um sentido de comunhão muito forte entre pais, equipa e treinador, tudo isso baseado num respeito mútuo e diálogo positivo o que é de salientar, pois com um plantel extenso e com alguns miúdos ainda em fase de uma aprendizagem maior em relação aos outros, saber que apesar de tudo, comparecem sempre aos treinos com a mesma alegria e motivação, deixa-me extremamente satisfeito.

Última nota

Por tudo isto, agora que terminou a primeira fase, sinto-me bastante satisfeito com aquilo que efectivamente viemos a produzir e com aquilo que trouxemos para a equipa, mesmo com alguns erros, com coisas que poderiam ter sido diferentes, mas enquanto treinador também estou cá para assumir os meus erros e tentar sempre corrigi-los. De uma coisa tenho a certeza: segui sempre as minhas convicções e a minha forma de pensar, positiva e ambiciosa. O futuro ninguém o sabe e o amanhã é sempre incerto, mas estou seguro que estes miúdos têm muito valor e a sua margem de evolução será ainda maior.


Adenda: Peço desculpa por alguma ausência nos últimos dias, mas a minha vida profissional mudou um pouco e agora a disponibilidade não é a maior, mas prometo que continuarei por cá. Muito obrigado por visitarem.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Citações livres #3

"O hábito é um saber fazer que se adquire na acção. Se realmente queremos que a nossa equipa jogue de uma determinada forma, teremos que potenciar esses comportamentos através do treino. Os exercícios específicos de acordo com o Modelo de Jogo Adoptado, serão o meio mais eficaz para adquirir uma forte relação entre mente e hábito".

Carlos Carvalhal, "No treino de futebol de rendimento superior, a recuperação é... Muítissimo mais que "Recuperar"

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Livro - Qué es la "Periodización Táctica"? - Xavier Tamarit



Tenho perdido algum tempo a ler este livro do espanhol Xavier Tamarit sobre um tema tão em voga e oportunamente tão falado entre o circulo de treinadores que é a Periodização Táctica e sobre os modelos de treino, sempre um tema tão em discussão entre esta geração. Posso confessar que ainda não li o livro todo, que se encontra num espanhol bem perceptível, mas daquilo que tenho lido, sinceramente tenho gostado. Apesar de uma repetição incrível de citações quer de Vitor Frade, como de Rui Faria ou de José Guilherme Oliveira, parece-me um extremamente interessante e com uma linguagem mais acessível de todos os que já li sobre este tema. No meu caso, tenho lido e tenho gostado e é sempre bom este tipo de livros sobre este tema estarem publicados, pois com a evolução dos tempos, temos que nos manter sempre actualizados e é bom que mais treinadores comecem a partilhar estes pensamentos sobre o jogo e sobretudo, sobre o treino.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Construção da criatividade

Deixo em seguida, um texto de Marisa Gomes, na sua colaboração com o zerozero, sobre este tema. Tenham paciência e percam um pouco de tempo para ler este texto. Não é nada de novo, mas faz-nos (sobretudo aos treinadores de futebol de formação) pensar.

"A capacidade de improvisar, de gerar novas formas de pensar, de agir e de ultrapassar os adversários (individual ou interactivamente) é algo que nos emociona. É o que nos liga ao jogo, na sua expectativa, na superação, na envolvência e emotividade que nos faz sentir dentro do próprio jogo. No entanto, esta emocionalidade está reduzida no futebol actual. Os motivos são vários, mas o fundamental é fácil e evidente: pobreza na criatividade das equipas e jogadores. Justificam-se com a ordem «táctica» e com os comportamentos defensivos, mas não é verdade. A falta de criatividade, da genialidade é a causa fundamental dessa pobreza. O importante agora é perceber porque existe falta dessa criatividade. Simples: a formação, a educação e cultura que estamos a desenvolver.
Apesar de ser um aspecto amplo e aparentemente difuso, é um dado concreto e com uma origem objectiva cujos culpados somos todos nós, adultos. Sem excepção. Reconhecemos e valorizamos cultural e socialmente os indivíduos que criam, geram e motivam novos conceitos, novas perspectivas e uma maior variabilidade naquilo que já existe. O que acontece na arquitectura, na arte, nos escritores, nos estilistas, nos treinadores e nos jogadores. No entanto, nada fazemos para estimular e desenvolver esta apetência. As regras, as normas e rotinas surgem cada vez mais cedo e em todas as dimensões de uma criança. Tornam-se numa constante. E por isso acho que devemos enaltecer e reconhecer cada vez mais os que apesar disso não perdem a sua originalidade e criatividade. A nossa educação comete um erro na sua concepção: estreita formas e caminhos quando deve fornecer temas para que os trilhos possam ser desenvolvidos, diversificados e geradores de uma formação individual. O que não acontece: vestem-se cada vez mais iguais (sem falar dos uniformes), as casas são cada vez mais semelhantes, as rotinas são partilhadas e vividas desde o berçário, o trabalho e programas escolares são cada vez mais gerais e automáticos. Então, se não se gera a criatividade como pode ela aparecer? Valorizamos os meninos bem comportados, com comportamentos e rotinas que orgulham os pais, os trabalhadores, os que cumprem as expectativas e que facilmente são controlados pelos pais, professores, auxiliares, treinadores e jornalistas. No entanto, adoramos as coisas novas, aquelas que vão para além daquilo que esperamos. Mas o que fazemos para que isso aconteça? Damos espaço para que as crianças interajam com outras crianças sem a supervisão dos adultos, permitimos que brinquem, que joguem à bola em casa, na escola ou jardins? Controlamos os espaços, o tempo e uniformizamos o que fazem. Na escola, em casa, no treino, no futebol e no jogo.
A formação de um jogador criativo não é algo divino. Depende das suas capacidades, características, mas sobretudo daquilo que adquire ao longo dos anos de formação. O potencial criativo pode ser e deve ser estimulado e desenvolvido. A ausência deste aspecto tem sido determinante como facilmente reconhecemos na pobreza criativa que existe num jogo e na hipervalorização que jogadores com essa capacidade têm no mercado actual. Mas convenhamos, como surgem esses jogadores? Espontaneamente? Não me parece… Senão a intervenção divina seria mais ampla e não haveria uma diminuição nestes últimos tempo. A não ser que seja também a crise…
A formação e os contextos de treino e competição, em todos os seus escalões, devem reflectir essa vontade de desenvolver jogadores criativos. E para isso, temos que pensar no que temos feito, nas necessidades dos artistas e nas condições com que procuram a sua genialidade. Analisando a qualidade dos jogadores criativos percebemos que a sua maior virtude é a sua capacidade de inovar e portanto, associamos uma invariável: a variabilidade. Como se mexe, como decide, como toca na bola, como interage e como joga. No entanto, que contextos promovemos no treino, na formação para que haja criatividade? As cores dominantes no treino são cada vez mais uniformes ou seja, existe uma esterilização que em nada favorece aquilo que queremos! As cores das camisolas e equipamentos são as mesmas (nalguns até as chuteiras!!), os cones são muito coloridos e limitam os espaços religiosamente, os exercícios são espaços nos quais os jogadores têm que percorrer caminhos traçados. Assim, como podemos querer que os jogadores inventem, criem, se divirtam e sejam inovadores? Esta questão leva-nos para um contexto ideal onde todos reconhecemos ter todas as coisas importantes: o futebol de rua. No entanto, mais que o valorizar e reconhecer as saudades que nos provoca vejamos o que o futebol de rua tem que o torna tão especial.
Para começar, a emoção. O prazer que o jogar na rua é uma componente decisiva para a sua importância. Os jogadores iam por livre vontade (alguns fugindo até) e sobretudo, iam sozinhos porque adoravam jogar. Perdendo a noção das horas, sem ter percepção de cansaço e com uma alegria contagiante, o futebol de rua manifesta a sua pureza.
Num contexto improvisado, apenas com uma bola (com maior ou menor qualidade), a junção de miúdos para jogar resultava do prazer que sentiam a fazê-lo. As balizas, os limites do campo eram definidas no início e reconhecidas a «olhómetro» por todos durante o jogo. As equipas formavam-se de acordo com as características dos jogadores, os melhores e os piores distribuíam-se numa concordância que a justiça infantil compreendia e aceitava. No caso de não ser justo no decorrer do jogo, ajustava-se para que pudesse ser competitivo. O prazer da conquista resultava disso. A ausência de adultos a dizer como deviam jogar fazia com que resolvessem os seus problemas de acordo com as necessidades de superação individual e colectiva. A variabilidade dos jogos tornava-os aliciantes porque as crianças não gostam das coisas mecânicas e da mesma maneira, alterando as equipas, procurando serem melhores, jogando de corpo e alma. E por fim, davam primazia ao jogo. Queriam era jogar! Não se atiravam para o chão (era duro!), não permaneciam à espera do protagonismo que a paragem no jogo provoca com a entrada do «massagista», não discutiam se ia fora, queriam era ganhar jogando, agindo, mexendo-se de forma pura e em diferentes contextos que os faziam crescer de acordo com a importância do verdadeiro jogo comporta. A simplicidade da genialidade. SEM COLETES, SEM CONES, SEM ÁRBITRO, SEM O «COMANDO» TÉCNICO, COM camisolas/ calções/calças/sapatilhas DIFERENTES, DURANTE HORAS SEGUIDAS!!
Então, será que o treino tem futebol de rua?? Senão, não esperemos que a criatividade surja por geração espontânea porque Darwin já provou há séculos que Lamarck estava errado…"

Marisa Gomes, zerozero.pt

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Exercício - Transição Ofensiva - Defensiva 4x4



Azuis

Um médio centro, dois alas e um ponta de lança;

Amarelos

Dois alas e dois centrais;

Descrição

Neste exercício, com as equipas modeladas conforme a maneira como jogamos ofensivamente e defensivamente, trabalhamos a zona ofensiva contra a zona defensiva. Os azuis, de onde sai sempre a bola, orientada pelo treinador, tem como objectivo obter golo na baliza grande com GR, procurando fazer uso dos príncipios de jogo ofensivos, como a cobertura ofensiva, mobilidade e penetração. À equipa que ataca é pedida paciência no seu jogo, qualidade de passe, movimentações sem bola, etc, etc. Os amarelos, têm que procurar reduzir bem os espaços, impedir que a equipa azul se acerce da sua baliza, fazer uma boa contenção e ser forte nas coberturas defensivas, mantendo um bom equilíbrio. Ganhando a posse de bola, podem marcar nas duas mini balizas;

Objectivos

Neste exercício, no meu entender, rico para podermos exercitar os príncípios de jogo, procura-se que a equipa que ataca tenha segurança na circulação de bola e que possa agir sempre com com bom controlo do jogo sob o risco de perder a bola em zona nevrálgica e poder sofrer golo nas mini balizas colocadas para o efeito. Ao mesmo tempo, sendo uma equipa que tem como missão atacar, procurar penetrar na zona defensiva adversária com o intuito de poder finalizar. Defensivamente, pretende-se um controlo racional do espaço, procurando reduzir os mesmos para impedir a penetração da equipa atacante e ao mesmo tempo, definir zonas de pressão com o objectivo de poder ganhar a bola e tentar marcar nas mini balizas;

Variantes

Podemos incluir como variantes um nº limite de passes e só depois poder atacar a baliza, colocarmos duas balizas laterais, uma de cada lado, facilitando o processo defensivo e dificultando ainda mais o processo ofensivo, a obrigatoriedade da bola passar por todos os elementos da equipa antes de se poder atacar a baliza, podemos ainda incluir mais dois jogadores na equipa que ataca, fazendo um 6x4 e dando aos centrais  dessa mesma equipa, a obrigatoriedade de participar no processo ofensivo, etc, etc.


Obrigado por visitarem,

Um abraço.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O planeamento do dia da competição

Acho este um tema deveras interessante. Hoje em dia, a preparação é tudo no futebol e no desporto em si. Nos treinadores de futebol, assumo que tem uma importância capital e é um bom sinal de organização, de método e de uma boa preparação, ou seja, um trabalho de casa bem efectuado. Falo, claro está, do planeamento que se deve ter antes da competição propriamente dita. No meu caso, que ainda treino escalões de formação, procuro não fugir muito à regra. Por norma, gosto de ser metódico e ter tudo organizado e planeado para em qualquer momento do jogo ou antes do mesmo, poder dar uma resposta positiva e estar preparado para qualquer eventualidade.

Como tenho 12 convocados, um dia antes da competição, faço um planeamento ao nível da nossa estrutura com todos os convocados e tento perceber todas as soluções que eles podem oferecer dentro da nossa maneira de jogar. Depois, ao nível da nossa estrutura posicional, procuro colocar algumas nuances mais estratégicas em função das características do adversário e da forma como o conhecemos em jogo. Neste aspecto, não sou apologista de mudarmos a nossa identidade de jogo só em virtude do próximo adversário. Gosto sim de pensar em algumas nuances importantes para tentar anular pontos fortes deles, previamente estudadas e treinadas durante a semana, mas mantendo procurando manter a identidade da equipa.

Depois, tenho em atenção à palestra que antecede o jogo: por norma, faço uma abordagem mais geral ao encontro, apelo ao lado mais motivacional dos atletas e procuro passar-lhes uma boa dose de confiança, pedindo-lhes uma boa entrega e uma boa atitude em cada momento do jogo, procurando que eles se divirtam com o que estão a fazer. Depois, entra o lado mais estratégico, qb porque nestas idades é muito complicado definir estratégias, movimentações e tudo o que daí advém, por norma procuro que isso esteja já apreendido durante a semana, por isso, defino quem entra de início e dou uma abordagem mais geral e depois mais individual ao nível de posicionamentos, de coberturas, de marcações, bolas paradas, etc, etc, para que os miúdos possam ir bem preparados para dentro do terreno de jogo. Aprendi também que nestas idades, uma palestra muita longa não é nada benéfica, sobretudo porque se demasiado extensa, a informação não passa com a objectividade que pretendemos. Por tudo isto, creio que ter uma palestra bem preparada, é aspecto essencial para mim.

O aquecimento antes do jogo também é algo que gosto de preparar. Dependendo do adversário, das condições, procuro ter um aquecimento em conformidade, ainda que nem sempre tenhamos as opções mais correctas e tenhamos que ter essa noção. Por isso, o aquecimento também é preparado mediante aquilo que eu penso ser melhor para os miúdos, como todos os treinadores o fazem em relação às suas equipas, não é nem mais nem menos diferente.

O jogo, será pois, mais uma prova do que temos vindo a treinar, do que temos colocado em prática nos treinos e em alguns jogos, assumindo-se algumas rotinas como essenciais e será uma oportunidade para vermos a evolução da equipa, de alguns jogadores, de alguns processos, no fundo, o jogo é o resultado total, é o êxtase que podemos sentir de colocar em prática tudo o que é essencial para nós e tirarmos os nossos próprios feedbacks, positivos ou negativos, mediante o resultado do jogo, que é importante mas nem sempre reflecte ou nos confere todas as respostas que pretendemos para o nosso colectivo.

Por tudo isto, creio que um treinador organizado em todas as suas funções, está a dar um passo à frente na sua competência do que um treinador que faz tudo em cima do joelho ou que actua conforme intuições e conforme momentos. Não criticando quem o faz, e ainda haverá muito boa gente a fazê-lo, defendo a organização e o rigor sempre.

Um abraço e obrigado por visitarem,

José Carlos Monteiro

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Grande intervenção (com vídeo)



Não tenho acompanhado muito a CAN, mas ontem tive a oportunidade de ver esta intervenção do guarda redes de Moçambique e para além do aparato incrível que a imagem tem, para além da espectacularidade do lance, uma das coisas que fica por dizer é que o atleta poderia ter sofrido algo de muito grave neste lance. Felizmente, assim não aconteceu, mas se repararem bem na cabeça do atleta nas repetições, é no mínimo para suspirar de alívio. Fora isso, acho que foi um espectáculo dentro do próprio espectáculo. Não é competição ao qual preste grande atenção, mas prometo espreitar o olho nos próximos dias.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Citações livres #2

"Para o treinador, um dos grandes problemas é o tempo. Ele não tem muito tempo. Não se pode treinar muito tempo. Quando muito, o treino de quarta-feira pode ir além da hora e meia, mas os restantes é conveniente que não a ultrapassem."

Frade (1998)


Se quiserem comentar a citação, usem a caixa de comentários para o efeito.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

"A justificação da Periodização Táctica como uma fenomenotécnica"



Acabei de encomendar e fazer a compra deste livro através da Internet. Parece-me um livro extremamente interessante e positivo, com a colaboração de autênticos experts na matéria como são Rui Faria e José Guilherme Oliveira e para quem se interessa por este tipo de assuntos, é uma compra positiva. Irei certamente lê-lo com muita atenção, até para aprender um pouco mais  e evoluir sempre na capacidade de expandir os meus conhecimentos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Não terá sido cedo demais?





Domingos Paciência, assumiu num dos destes dias que pretende vencer o campeonato, para além das taças. Discurso arrojado, mas extremamente confiante de alguém que tem surpreendido (eu próprio duvidava do seu sucesso em Braga) com a sua equipa no campeonato e que tem feito uma assumida boa campanha. A minha pergunta, não retirando legitimidade à ambição deste jovem treinador é: não terá sido cedo demais? A época ainda é longa, há muito para jogar e todos sabemos que é muito difícil uma equipa outsider, fora dos quatro grandes, poder lutar pelo título tão afincadamente como Domingos pretende. Na minha opinião pessoal, esta afirmação trará uma pressão extra interna e externa que pode ser prejudicial quer à própria equipa quer ao próprio Domingos, caso as coisas não lhe comecem a correr como deseja, faltando ainda muito para jogar. Mas, ninguém lhe pode acusar de não assumir o risco e de não ter confiança nas capacidades da equipa e nas suas capacidades, mas volto a frisar e a questionar: não terá sido cedo demais? No final da época, cá estaremos para tirar as nossas conclusões.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Citações livres #1

"A transição defesa-ataque tem de ter uma relação íntima com aquilo que é a nossa forma ofensiva de jogar. Quando uma equipa pressiona tão alto, precisa de descansar durante o jogo. E o que é melhor? Descansar com bola ou sem bola? Quero que a minha equipa saiba descansar com bola e saber descansar com bola é ter um bom jogo posicional, é os jogadores ocuparem racionalmente o espaço de jogo e terem capacidade para terem a bola em seu poder mesmo que durante algum tempo o objectivo não seja dar profundidade ao jogo e chegar rapidamente à baliza adversária."  - José Mourinho - Porquê tantas vitórias?


Se alguém quiser comentar a citação, esteja à vontade. Este é mais um novo espaço no blog.

O ganhar



Há alguém que goste de não ganhar? Eu pessoalmente não sou excepção. Gosto do conceito de vitória, de vencer, do triunfo e tenho enormes dificuldades em aceitar uma derrota ou um insucesso. É algo que me custa muito. Como treinador, tento passar um pouco da minha ambição aos que comando, procuro que eles tenham uma mentalidade vencedora e procurem sempre o sucesso. Nem sempre é possível, sobretudo quando estamos a falar de miúdos de 10/11 anos, cuja mentalidade e forma de pensar divergem dos mais crescidos, mas sou defensor e apologista que um jogador tem uma maior probabilidade de evolução individual, se estiver imbuído de um espírito colectivo de conquista e triunfo permanente. Talvez por isso, e após dois jogos sem vencer, me esteja a custar um pouco a digerir esta fase que estamos a passar, sobretudo numa fase importante a nível de classificação geral. Quero e é do meu entendimento que esta fase passe rapidamente, estou confiante que regressaremos rápido ao trilho extremamente positivo que tivemos na primeira volta e enquanto treinador, vou procurar passar uma mensagem positiva à equipa e continuar a treinar, treinar sempre e procurando fazê-lo sempre bem, para que todos possamos melhorar. É nisso que me baseio. Derrotas irei ter muitas enquanto treinador, tal como vitórias e terei que aprender melhor a lidar com isso. Nem a vitória deve trazer presunção ou arrogância, nem a derrota nos deve desmoralizar. Há que continuar, seguir sempre! É esse o meu caminho. Venha sábado rapidamente.