quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Barça de Pep Guardiola



Em 25 anos de idade, esta é a melhor equipa que já vi jogar e sobretudo, a que me dá mais prazer ver. Acompanho o trabalho de Pep Guardiola desde o tempo em que assumiu a equipa principal do Barça e, apesar das dúvidas de muitos, achei que estaria ali um brilhante futuro treinador, que teve os maiores professores enquanto jogador e que poderia e bem ser um enorme treinador. Gosto de acompanhar e ver vídeos e fotos dos treinos do Barça que por vezes os jornais espanhóis colocam, assim como todas as conferências de imprensa do timoneiro catalão. Jovem, dedicado, detalhista, obcecado, é o líder do melhor futebol da Europa. Em baixo, deixarei um link com algumas das suas ideias, pelo que se pode perceber muita coisa.

Este Barcelona tem tudo o que um qualquer treinador desejaria colocar em prática nas suas equipas: grande capacidade de controlo e posse da bola, futebol largo e aberto assente na qualidade dos seus extremos, com grande capacidade de fazerem diagonais para dentro, espectacular capacidade de fazer campo grande e campo pequeno num estalar de dedos, dois médios com grande capacidade de definir os tempos e ritmos de jogo como bem lhes convém, um lateral que faz do seu flanco uma autêntica auto-estrada, um trinco com grande capacidade para destruir jogo, uma linha defensiva bem alta e um guarda redes que apesar de não ser do meu agrado, se sente muito à vontade com a bola nos pés e como diz Guardiola, talvez seja o único guarda redes ideal para o Barcelona.

Tem jogadores para isto? Tem, claro. Mas tudo isto trabalha-se, trabalha-se e trabalha-se. Guardiola não abdica nunca do seu modelo de jogo, é esta a sua forma de jogar. Posse de bola, movimentos sem bola, paciência, rupturas, mobilidade, mobilidade, posse de bola, mobilidade, futebol largo, etc, etc. É isto. Mas isto trabalha-se e nesse aspecto, Guardiola tem todo o mérito do mundo. É o treinador do momento e a sua equipa pratica o melhor futebol da Europa com jogadores de alto quilate. Ontem, ao ver um pouco o seu jogo (depois do meu treino) contra o Inter, continuei a reparar na intensidade com que Guardiola vive no banco de suplentes, encostado à linha, a esbracejar, a dar indicações, a motivar., ao contrário de um Mourinho em silêncio, apático, impotente para mudar o que quer que seja (o que se passa José?). O seu Barça joga muito (o de Guardiola), mas mesmo assim nunca se dá por satisfeito. O seu Barça vence, mas mesmo assim reinvindica os louros completos para os seus jogadores. Não se vê um único atleta a dizer mal das capacidades de liderança de Guardiola. É este o treinador modelo. Que foi capaz de dispensar Eto'o e assumir as responsabilidades (apesar de Ibra marcar e estar a render, o futebol do Barça era mais explosivo com o camaronês). Hoje vence, amanhã pode não vencer, mas estou certo que com este modelo e esta filosofia, este homem merece vencer sempre.

Porque quem alia a vitória ao espectáculo, não merece o purgatório. 'Gracias Pep'

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A relação Treinador - Atleta

Uma das variantes mais importantes do futebol, no meu entender. Costumo dizer que uma máxima sincronização entre treinador e os seus atletas, levam a resultados mais positivos. A comunhão deve existir, baseada no respeito mútuo e no saber qual é efectivamente o lugar de cada um na hierarquia. Acho ainda que, embora todos os atletas devam ser tratados por igual, pelo facto de terem personalidades diferentes, entendo que cada caso deve ser um caso, mas sempre com o sentido da coerência e justiça perante o grupo. Não sou ninguém para estar a falar disto, falo apenas da minha ainda curta experiência como treinador, pois como se sabe, nem só dos treinos e dos jogos, vive o treinador de futebol.

No meu caso, procuro ter uma relação próxima com os meus atletas, mantendo a distância que deve sempre existir e nas minhas ideias existe uma principal: não tolero faltas de disciplina, nem de respeito. Isso para mim é inconcebível. Comigo, pessoalmente, ainda não me aconteceu e não espero que aconteça. Gosto muito de dialogar com os meus atletas, conversar com eles, incentivá-los a melhorar, dar-lhes os parabéns quando é necessário e "dar-lhes na cabeça" também quando é preciso (e são muitas vezes). Sou tolerante e compreensivo quando entendo que devo ser, já não sou assim quando as situações passam fora das marcas. Sou muito exigente e acho que os próprios miúdos não estavam habituados a isso, mas creio que mais tarde darão o devido valor. Entendo que quando se está imbuído em algo, ou somos exigentes connosco próprios, ou nem vale a pena estarmos ali. Acima de tudo, procuro estabelecer uma relação de confiança mútua em que os atletas saibam que podem conversar comigo e eu com eles, porque somos uma equipa e porque acho que devemos ser o mais unidos possível, mas dentro do treino, exigência e concentração máxima é só tudo o que peço. Nem sempre é possível, mas faz-se por isso.

Há sempre aspectos a assimilar deste tema e como toda a gente, ainda procuro estudar as melhores maneiras a agir em certo tipo de casos, mas com o tempo e com a experiência, afinal o nosso melhor treino, estou certo que evoluirei também nesse aspecto.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A vitória de Paulo Sérgio



Uma das mais importantes da sua carreira até ao momento, foi ontem no Estádio da Luz. Com alguma pontinha de sorte à mistura, mas com a lição muito bem estudada, assente numa postura de contenção e contra-ataque com um Targino em ritmo de motociclismo, conseguiu um resultado que poucos esperariam. No meu entender, foi sobretudo inteligente a forma como colocou dois pivots defensivos à frente de uma linha defensiva tendencialmente baixa, tapando o grau de influência de Aimar, que é um jogador influente na manobra ofensiva benfiquista. Aimar apareceu pouco e o Benfica, apesar de ter criado soberanas situações de golo, não foi o rolo compressor que o seu treinador tanto vinha a prometer, com o desespero e a ansiedade naturais de quem está em desvantagem, a obrigar o Benfica a flanquear mais o seu jogo e a apostar em cruzamentos para a área (quantos lances aéreos ganhou o Benfica na área do Vitória? Pois...). Como disse, muita personalidade mostrou o Vitória, numa postura defensiva, mas tacticamente bem estudada (apenas Targino ficava à frente da linha da bola) e assente no contra ataque. Teve sorte, mas a atitude guerreira, esforçada e de sofrimento desta equipa, valeu-lhe a alegria no fim. Para Jorge Jesus, é uma derrocada nas suas ambições. De nada adianta os tais massacres que fala, se no fim as bolas não entram, porque o significado e o objectivo do jogo é o golo. Dos três grandes, ainda assim creio que é o Benfica que tem o seu modelo de jogo mais regular, mais capaz e sobretudo mais consolidado.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Há dias assim...

Ontem foi dos dias em que me senti pior como treinador. Tinha o meu treino todo bem planeado, no meu entender bem organizado e acreditava que iria ser uma sessão proveitosa. Pois bem, pouco ou nada disso aconteceu. Não vale a pena enunciar os motivos, mas certamente compreenderão que ser treinador de miúdos de 10/11 anos é tudo menos fácil e a paciência é palavra constante em cada treino. Muitas vezes, de pouco ou nada adianta conversar, tentar educar e tudo o resto. Quando a vontade é pouca, não há muito a fazer. É complicado chegar-se a um clube e mudarem-se mentalidades. E depois claro, há o sentimento de impotência em que sentimos que nos esforçamos imenso para que tudo saia bem, nos preocupamos com a equipa e em formas de evoluir cada vez mais e no fim nada sai como esperamos. Quem é treinador de futebol de formação, certamente deverá saber como me sinto e saberá do que eu falo. Enfim, como só temos treino segunda-feira e porque só voltamos a competir oficialmente no dia 1, vai ser bom espairecer um pouco este fim de semana e esperar que na segunda-feira, as coisas já corram melhor. Vida de treinador é assim mesmo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Exercício - Posse de Bola - Transições - Pressão sobre o portador da bola



Um dos exercícios de posse de bola que reúne a minha maior preferência. Não deve ser novidade para alguns dos treinadores que cá passam, mas ainda assim é no meu entender, um exercício muito bom.


Descrição: Duas equipas de 4 jogadores, que estão  divididas em dois grupos de 2 jogadores. Quando a equipa dos amarelos está no seu campo (um quadrado delimitado por mecos), só um dos grupos da equipa adversária, alternadamente, pode entrar nesse quadrado, havendo circulação de bola de 4x2. Quando o grupo de 2 azuis conseguir roubar a bola aos amarelos, tentam de imediato colocar a bola no seu campo, o quadrado que está ao lado com os outros 2 azuis. Se o conseguirem, o jogo transita para o quadrado dos azuis, passando estes a jogarem com os 4 jogadores contra um dos grupos de 4 amarelos (dois à vez).

Objectivos: Circulação de bola com segurança na equipa com posse de bola; apelo à mobilidade em posse de bola dos jogadores sem bola, oferecendo linhas de passe; rápida resposta dos dois homens que estão na procura da recuperação de bola, procurando reduzir espaços e sendo rápidos e incisivos na pressão ao portador da bola; rapidez nas transições de um campo para o outro, dependendo da largura e comprimento do exercício;



Variantes: Pode-se delimitar um número de passes entre as equipas: quem conseguir efectuar dez passes seguidos no seu campo, vale um ponto e assim sucessivamente.

O bichinho pela competição

Por motivos de força maior, só voltarei a jogar no próximo dia 1. Foram adiados os dois próximos jogos, pelo que oficialmente só daqui a uma semana e alguns dias, regressarei à competição. Por um lado, já estou habituado à emoção do jogo, à rotina de dia de jogo, à preparação, às noites mal dormidas a pensar em certas e determinadas opções, a tudo. Mas, pensando pelo lado positivo, se calhar esta paragem vai ser positiva para mim e para a minha equipa, pois teremos mais tempo de nos continuarmos a preparar melhor e assimilar maiores rotinas ao nível do treino e da nossa forma de jogar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Exercício: 2x2 - 3x2 - Príncipios de jogo



Um exercício muito simples em que trabalhamos alguns príncipios de jogo como a penetração, a contenção, a cobertura defensiva, a cobertura ofensiva, a mobilidade, etc, etc. Por príncipio costumo fazer 2x2 (dois defesas + dois atacantes), mas desta vez decidi colocar um terceiro homem, por norma um médio centro ou até mesmo um avançado que num sistema de jogo sirva de apoio aos homens do meio campo e que tenha boa capacidade de rodar a bola pelos flancos. Passível de ser utilizado nos escalões de formação.

Descrição
 
Numa primeira fase, um dos dois defesas faz um passe em diagonal à distância para um dos homens nos cones amarelos e sai juntamente com o seu colega defensor para impedir a progressão do homem que recebe a bola e do outro homem que actua em apoio, fazendo 2x2. Numa segunda fase, coloca-se outro homem e trabalha-se uma situação quer de inferioridade quer de superioridade numérica, com esse terceiro homem a fazer cobertura ofensiva aos dois homens em posse de bola;

Objectivos

Aos atacantes, pede-se uma boa mobilidade, capacidade de definição rápida e boa capacidade de segurar a bola, atacando a baliza pela certa, caso o processo defensivo esteja a ser demasiado cerrado e bem feito. Aos defensores, pede-se um excelente posicionamento defensivo, assente numa boa cobertura defensiva, boa capacidade de contenção e bom controlo emocional, importante para não se tomarem decisões repentinas, passíveis de prejudicar a equipa defensivamente. Ao terceiro homem, a funcionar como cobertura ofensiva, pede-se lucidez e inteligência com a bola, funcionando sempre como motor do processo ofensivo e oferecendo sempre linhas de passe, com capacidade ainda para fazer circular a bola de modo correcto e seguro com os dois homens da frente;

Variantes

Em 2x2, pode-se incluir um número de passes que têm que ser dados antes de se poder procurar a baliza e o golo e pode-se definir ainda a zona até onde os defensores podem agir. Em 3x2, podemos definir que a bola tem que passar pelos três atletas em fase ofensiva antes de se poder atacar o golo, ou procurar-se manter a bola entre os três homens e só ao fim de um 'x' número de passes, se ter como objectivo o golo.




PS: Peço desculpa se a compreensão e a explicação do exercício não estão assim tão fáceis de depreender. Qualquer dúvida, não hesitem em expôr.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Carlos Carvalhal



Ponto prévio e declaração de interesses: André Villas Boas era o treinador que gostaria de ver à frente do meu clube e as razões estão noutro artigo ainda neste espaço, é só procurar. Sem ser surpreendente, o Sporting não conseguiu a sua contratação e esperava-se uma resposta firme, ambiciosa e de acordo com os pergaminhos que o clube ostenta. Carlos Carvalhal foi o escolhido. Creio que diz tudo, mas sobretudo o que me faz mais confusão é a terrível falta de confiança que os dirigentes demonstraram ao propôr o seu contrato. Está lá tudo. Sobre Carlos Carvalhal, dizer que nada tenho contra a sua pessoa e enquanto treinador. É a oportunidade de uma carreira e todos merecem o direito à vida. A sorte sorriu a Carvalhal. Ou então não. O Sporting é um desafio aliciante mas é por ora, um osso bem duro de roer e estou em crer que nem o próprio Carvalhal sabe onde se meteu. Adepto do estudo, das novas tecnologias, com elogiados métodos de treino, licenciado e um dos discípulos do Professor Vitor Frade, Carvalhal tem a teoria toda na cabeça, mas isso por si só não chega. Adepto do 433, duvido que o consiga implementar em Alvalade, mas gostaria muito de ver regressar os extremos a Alvalade. Veremos se tem unhas para tocar esta pesada viola. Acho que nem ele sabe onde se meteu, sendo segunda ou terceira escolha. Mas a ele, porque não tem culpa do cartório, bem vindo e as maiores felicidades.

sábado, 14 de novembro de 2009

A preparação e o planeamento nos treinadores de futebol

Para mim, essenciais.

Ainda estou um pouco verde para me pronunciar muito bem sobre isto, mas enquanto treinador, dou muito valor. Nada é ao acaso, gosto de ter tudo programado ao detalhe, desde o treino até ao jogo, consoante o mais razoável e dentro das minhas possibilidades. Considero um bom método de organização de um treinador. O planeamento é fundamental. Dá-nos a imagem de treinadores metódicos, organizados e traçados pelo melhor caminho. Quer seja nas sessões de treino, quer nas palestras e nas intervenções aos miúdos, nos aquecimentos aos jogos e até nas observações ao adversário, procuro pensar bem no quero e para aquilo que procuro. Certamente que isso não me garante resultados, nem grandes exibições, mas estou certo que a minha consciência ganha e fica tranquila com isso. Sei que dou e faço o melhor de mim. O resto é sempre para os artistas da bola, os verdadeiros protagonistas do jogo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A nova geração de treinadores



Cada vez mais assistimos a clubes médios ou de menor dimensão, a apostarem em treinadores mais jovens, não tão consagrados, mas com um novo ar, uma nova abordagem ao jogo e aos processos de treino e os resultados obviamente vão aparecendo. Saúdo esta aposta nesta gente com uma mente mais ambiciosa, mais evolutiva e com capacidades enormes de projecção. A imagem dos quatro treinadores poderia ser mais alargada com outros, como por exemplo Jorge Costa, que também merecia estar nesta montra. Percebe-se esta ideia dos clubes. Cada vez mais há a preocupação de dotar as suas equipas de um conhecimento maior, de inovadores processos de treino e lá está, de uma linguagem e de uma comunicação mais jovem e empreendedora. Vamos caso a caso:

Mitchel Van der Gaag: Era treinador do Marítimo B, sem termos quaisquer conhecimento de resultados por si alcançados, mas trouxe uma nova qualidade e um novo potencial ao futebol do Marítimo, que é reconhecidamente uma boa equipa. Excluiu o uso do autocarro quer em Alvalade, quer na recepção ao campeão nacional e os resultados estão à vista. Além do mais, os jogadores têm elogiado os seus métodos. É por isso, um treinador a seguir com atenção;

Domingos Paciência: Já tinha falado dele anteriormente, tendo dito que me surpreendeu a sua meteórica ascensão no Braga. É mais um dos crónicos substitutos de Jesualdo Ferreira na sua eterna casa. Realizou um óptimo trabalho na Académica e agora segue muito bem colocado e com uma óptima prestação a nível interno no nosso futebol. Tem métodos e uma comunicação mais leve em relação ao seu antecessor no seu actual clube e as coisas têm corrido bem;

André Villas Boas: É o treinador da moda em Portugal. Discurso altamente coerente, humilde mas também ambicioso quanto baste, com métodos de treino inovadores, decorrentes dos anos que esteve com o seu mestre José Mourinho, é um ar positivo e inovador para a nossa Liga. Gosto de o ouvir falar, gostava de um dia de assistir a um treino seu e pessoalmente, gostaria que fosse o novo treinador do Sporting CP. Tem a inovação, a evolução e a ambição necessárias para ser um treinador de elevado sucesso;

Lito Vidigal: Treinador discreto mas com boas sensações. Teve um excelente trabalho no Estrela da Amadora até sair pelas conhecidas razões, prosseguiu o seu trabalho no Portimonense, elevando esta equipa algarvia ao topo da Liga Vitalis e agora está na União de Leiria, onde o início tem sido claramente prometedor. Jovem, discreto, não conheço os seus métodos de treino, mas é também ele um treinador jovem a seguir com atenção;

domingo, 8 de novembro de 2009

A primeira derrota

A vida de treinador é feita de vitórias, empates e derrotas. Nenhum está imune a isso. Sofri ontem a minha primeira derrota oficial enquanto treinador, frente a um adversário forte, com boas capacidades, com outras estruturas e condições e claro, com boa qualidade. Resultado justo. Custou-me imenso a digerir este resultado, ninguém gosta de perder, mas como treinador admito que após o apito final e após confortar os meus atletas e dar-lhes os parabéns pela atitude e esforço que tiveram, fiquei algo tocado e tive que ficar um pouco mais só a digerir o resultado. É o normal. Vencer ou ser derrotado, fará sempre parte da vida de um treinador e temos que ser fortes mentalmente e estarmos cada vez mais preparados para isso. Há é que saber manter sempre o nível quer no sucesso, quer no insucesso. Nem todos têm essa capacidade, eu procurarei sempre estar ao mesmo nível. Agora, o caminho faz-se caminhando e é tempo de seguir em frente, confiantes no nosso trabalho e nas nossas capacidades que vem aí mais uma semana de treino.

sábado, 7 de novembro de 2009

Obrigado Paulo Bento



Esqueçam-se todas as críticas ao futebol apresentado pelo Sporting, todas as teimosias tácticas, todas as opções discutíveis que como treinador tomou. Ontem, como sempre, foi um senhor. A nível humano, nada se lhe pode imputar. Deu sempre a cara pelo clube, defendeu-o até à morte e ontem na saída provou mais uma vez ser um homem de grande carácter e homens destes, tenham as limitações que tenham, merecem ser felizes. Quero agradecer a Paulo Bento todo o trabalho ao serviço do Sporting nestes quatro anos. Acredito que não tenha sido nem esteja a ser fácil para Paulo esta saída depois de vários anos na mesma casa, por isso compreendo a emoção. Hoje, não estou aqui para criticar o seu losango ou as suas opções, estou aqui para elevar o homem que sempre defendeu o Sporting de tudo e de todos, quando a sua principal função não era essa. Homens com esta personalidade, verticalidade e carácter, encontram-se poucos. Soube reconhecer que não deveria ter estado tanto tempo no Sporting, pois a sua imagem acabou desgastada. Teve a dignidade de saber assumir que as coisas não estavam bem e era preciso mudar. Foi responsável, deu a cara. Gosto de pessoas assim. Ao Paulo Bento homem e profissional, quero desejar-lhe as maiores felicidades a nível pessoal e profissional, esperando que a sua carreira seja fértil em sucessos, sejam eles onde forem. Para seu sucessor, sem qualquer dúvida, apostaria em André Villas Boas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sporting CP - Análise táctica e sugestões alternativas



Antes de mais, não concordo com aqueles que referem que um dos principais problemas do Sporting é o seu sistema táctico. Acho que, mediante uma avaliação cuidada, é o sistema mais correcto para o Sporting, mas também acho que existem alternativas e que se a equipa técnica pudesse analisar a fundo e pensar em alternativas, acho que o Sporting ficaria a ganhar.

Modelo de jogo gasto

Como referi, gosto do 442 em losango, é aliás um dos sistemas mais em voga no futebol mundial, mas como todos, precisa de ser bem estudado, bem trabalhado e sobretudo tacticamente, não é fácil construir um modelo de jogo a partir daqui. É esta a maior dificuldade do Sporting. O seu modelo de jogo está gasto. Que me lembre desde a entrada de Paulo Bento, a equipa manteve sempre os mesmos comportamentos, ora desde a primeira saída de bola ser um passe directo de um dos centrais ou do seu médio defensivo, para a zona atacante procurando desposicionar a defensiva contrária, ora das diagonais para as faixas constantes do seu médio mais ofensivo, oferecendo uma linha da passe ora ao médio mais interior ou ao lateral que sobe no terreno, o Sporting mantém os mesmos comportamentos, logo um sistema teoricamente mais previsível, mais facilmente estudado pelo adversário, mais facilmente aniquilado. Acho que Paulo Bento, a querer manter o seu sistema predilecto (aquando da sua entrada como treinador, tentou impôr o sistema 442 losango como sistema de jogo desde a formação até à equipa principal, algo prontamente rejeitado), terá que rever os comportamentos da equipa e no fundo, incutir novos movimentos, novas estratégias. Tocando nesse ponto, a equipa do Sporting é demasiadamente estática no terreno. Por vezes, ao assistir a um jogo da equipa, procuro perceber os movimentos que os homens do meio campo e ataque preconizam, mas eles são nulos. A equipa é estática. Paulo Bento sempre soube reconhecer isso, mas o que é certo é que os problemas subsistem. Por isso, se quiser manter o mesmo sistema, terá que rever os processos da equipa.

Possíveis Alternativas

Não concordo que o 433 ou o 4231 não possam ser tácticas adequadas ao Sporting. Aliás, sempre achei que o 433 com um pivot defensivo, um médio box to box e um médio mais ofensivo, poderia ser um sistema a pensar. Desengane-se quem vem com a desculpa que o Sporting não tem extremos. Pergunto: Angulo e Pereirinha são o quê? Yannick fez a sua formação toda em que posição? E Izmailov e Vukcevic não renderiam mais caíndo nas faixas e com liberdade de movimentos da diagonal para dentro? Já pensaram no rendimento nulo de Angulo e Pereirinha? Obviamente que não são, nunca foram, nem nunca serão interiores. O problema é Liedson? Liedson nunca é um problema numa equipa, é sempre uma solução e não concordo que se use um sistema por causa de um só atleta. Não concordo, mas respeito. Eu apostava num 433 a nível ofensivo, convertido num 4231 a nível defensivo, ou então num 4411, com Miguel Veloso e João Moutinho como os dois homens do meio, Matias Fernandez com liberdade para criar entre linhas e Liedson sozinho na frente. Porque não tentar? É mantendo o mesmo modelo (repito, modelo diferente de sistema) e os mesmos comportamentos totalmente gastos e previsíveis que levarão o Sporting a outro patamar? O sistema 442 é bem pensado se for utilizado a um nível que uma equipa como o Sporting exige: de ataque continuado, confortáveis com a posse, com a pressão logo à saída da bola do adversário e com uma atitude ambiciosa e uma vontade de vencer inabalável desde o primeiro minuto, que é coisa que não acontece actualmente, fruto de uma atitude demasiado passiva e pouco motivada na abordagem aos jogos.

É apenas a minha opinião pessoal, estando susceptível a discordâncias.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Escrevam o que vos digo...



Este 'rapaz' vai ser um excelente treinador de futebol. Tenho acompanhado a Académica desde a sua entrada e dá para ver os excelentes príncipios que trouxe para a equipa, para além dos seus elogiadíssimos métodos de trabalho e de treino. No Dragão, a equipa já tinha dado muito boa imagem, defendendo alto, cortando os espaços para o adversário jogar e tendo bem definidas as suas zonas de pressão, para além de se sentir confortável com a bola na sua posse, foi sem dúvida uma agradável surpresa. Ontem, acompanhei alguma parte do encontro frente ao Vitória de Guimarães e notei novos bons processos: equipa confortável com a bola, procurando ter uma boa posse e jogando com paciência em alguns momentos do jogo e em vantagem, boa capacidade de reduzir os espaços e ser uma equipa mais coesa e compacta, advertidos que estavam para o previsível futebol directo dos vimaranenses, sendo rápidos nas transições defesa-ataque que causaram alguns problemas ao Vitória. Não sei o que vem daqui para a frente, mas continuarei a acompanhar o trabalho deste 'rapaz', sendo certo e seguro que me parece alguém com um futuro tremendo no futebol. Tem também um discurso com uma ponderação, elevação e classe extremamente assinaláveis e uma postura no banco e na leitura de jogo que são de assinalar. Escrevo e repito: André Villas Boas vai ser um grande treinador de futebol. Sapiência e capacidade não lhe faltam.

Agradecimento

Tenho recebido vários emails de vários treinadores, jovens como eu e não só, a relatar as suas experiências, a trocar ideias comigo, a debater assuntos sobre os quais estamos relacionados como treinadores, desde o lado desportivo ao lado humano e tem sido muito positivo. Quero agradecer publicamente a essas pessoas por cá passarem, por terem a amabilidade de me contactarem e no fundo por toda esta troca de ideias. Este blog está cá para isso mesmo. Aqui escrevo sobre o que me apetece e todos são livres de concordar ou discordar comigo, é para isso mesmo que existe o debate de ideias. Mas, até ao momento tem sido muito positivo e gratificante contactarem-me e fico muito contente por saber que as pessoas passam cá e gostam do que vêm escrito. A todos, o meu muito obrigado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Uma boa notícia

Johan Cruijff está de regresso ao mundo do futebol. 13 anos depois de ter deixado o banco de suplentes do Barcelona, o holandês vai orientar a selecção da Catalunha. O anúncio foi oficializado esta segunda-feira.

O antigo internacional holandês, membro incontornável da laranja mecânica dos anos 70, foi treinador do Barcelona entre 1988 e 1996 e conquistou uma Liga dos Campeões, quatro campeonatos, três supertaças de Espanha, uma Taça do Rei e uma Supertaça Europeia.

Antes havia conduzido o Ajax durante duas temporadas: 1986/87 e 1987/88.
Johan Cruijff tem 62 anos. Nas últimas três épocas a selecção da Catalunha efectuou seis jogos de carácter amigável.

O meu primeiro jogo oficial como treinador

Foi no passado sábado. Aconteça o que acontecer daqui para a frente, ficará para sempre marcado na minha memória. Confesso que foi difícil conter o meu intenso nervosismo e a minha ansiedade, o normal por estas alturas, mas procurei sempre não o passar para os miúdos que, ainda assim, estavam também eles naturalmente ansiosos. Durante o jogo, sofri imenso dentro de mim próprio, disso podem ter a certeza, mas tudo correu bem. Também me fui acalmando dentro de mim e transparecendo a tranquilidade necessária para os miúdos dentro de campo. Obviamente que também precisava disso para ter a serenidade e a lucidez necessária para fazer uma correcta leitura do jogo. Disse mesmo na brincadeira a quem me acompanhava que iria morrer cedo assim, mas penso ter sido normal por ter sido o meu primeiro jogo oficial e querer que corresse bem. Sou um bocado assim: gosto de ter tudo programado, dou muito valor a estas superstições, procuro sempre a maior organização possível de tudo e de onde estou inserido. Este primeiro jogo não foi excepção e foi tudo preparado ao detalhe e estou certo de que me será difícil mudar. Estou seguro também que nos próximos jogos estarei mais sereno, com a experiência saberei responder à altura e conseguirei gerir melhor as minhas emoções. Mas pronto, já passou e agora há que continuar o meu caminho com humildade mas sem nunca perder a ambição.