sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Treinadores - Algumas imagens de 2009 e não só...

O treinador do momento: Após vencer tudo na sua primeira época como treinador principal no Barcelona e no futebol profissional, Josep Guardiola erguido em braços perante o mundo.
 

Depois do bom trabalho realizado no Villarreal, Manuel Pellegrini alcança o topo da sua carreira ao abraçar um tubarão chamado Real Madrid.

 
 
Após sete anos como um dos braços direitos de José Mourinho, André Villas Boas inicia o seu caminho na Académica de Coimbra.

 

Depois de um cargo como dirigente desportivo, Leonardo inicia a sua carreira como treinador no seu clube de sempre, o Ac Milan

 



Domingos Paciência, uma das maiores revelações da época até ao momento, juntamente com o seu Sporting de Braga.

 

Para Mitchell Van der Gaag, a sua oportunidade, no seu Marítimo chegou e até ao momento, com um percurso bem interessante.

 

Paulo Bento foi um dos treinadores em maior destaque em 2009.

 

A fazer um excelente trabalho no Bordéus, Laurent Blanc é mais um treinador da nova geração a seguir com atenção.

 


Para Jorge Jesus, a oportunidade da sua carreira chegou em 2009.

 

José Mourinho no estágio de pré-época do Inter. Inigualável como sempre.

 

O adeus de um grande senhor. Bobby Robson.

 


Diego Armando Maradona num momento peculiar, festejando efusivamente um golo da 'sua' Argentina.

 

Jesualdo Ferreira comemorando com o seu grupo de trabalho a conquista de mais um título para o FC Porto.

 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Balanço


Com a época a sofrer uma pequena paragem em virtude das festividades natalícias, é altura para um pequeno primeiro balanço desta primeira metade da época. No meu entender, penso que tem sido um caminho positivo, com a oportunidade de todos melhorarmos e evoluírmos com o decorrer do tempo, embora haja ainda muito a fazer e a melhorar, muito a trabalhar e muito a aprender. A nível de resultados, penso que estamos a fazer uma campanha razoável, manchada apenas por dois deslizes, uma derrota e um empate que nos trouxeram um sabor amargo, principalmente este empate que sendo na altura em que foi, me deixou um pouco mais insatisfeito, pois com outro resultado ainda teríamos uma palavra a dizer na luta pelo primeiro lugar, embora esteja e estivesse sempre consciente da dificuldade que seria sempre, pela valia das equipas em questão. Mas, estou satisfeito com a atitude dos meus jogadores: briosos, aguerridos, lutadores e com enorme vontade de vencer. Isso é o mais importante e estou satisfeito com eles. Obviamente como referi, há muitas coisas a melhorar e reflectirei sobre isso e certamente que o que há a melhorar, será trabalhado para isso acontecer. Quanto às minhas expectativas pessoais, procuro viver um dia de cada vez, esperançado sempre que as minhas decisões e o meu trabalho possa ser bem conseguido. Quanto ao resto, há que continuar, continuar sempre sem baixar a cabeça e com total confiança nas nossas capacidades, pois só assim poderemos alcançar coisas positivas. Há que seguir, seguir sempre com espírito positivo e uma vontade inabalável de vencer em cada treino e em cada partida em que entremos. Que o novo ano, nos possa trazer a evolução que pretendemos, a ambição de querermos sempre mais e no meu caso pessoal, que possa continuar a aprender e a evoluir, tendo a humildade de reconhecer as limitações, mas a ambição de querer aprender e evoluir cada vez mais.

Senão tiver mais oportunidades de cá vir, aproveito para desejar um Feliz Natal a todos os visitantes que amavelmente passam por cá, a quem eu agradeço. Feliz Natal para todos.

Um abraço,

José Carlos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Treino?

Ponto prévio antes de começar a desenvolver o tema que pretendo: não sou mais nem menos que os outros, nem sei mais nem menos que os outros, tenho é as minhas convicções. Ontem em conversa com o meu irmão (iniciado 2º ano), perguntava-lhe o que ele tinha feito no seu treino. Gosto de saber como evolui, como se trabalha, etc, etc. Resposta dele: Andamos a correr nas bancadas a subir e a descer degraus. Eu pergunto, como é que isto ainda existe e sobretudo como é que é possível isto ainda acontecer? Que modelo de treino é este? Que organização é esta? O que ganham os miúdos com isto? Sobretudo é esta a pergunta que me faço a mim próprio e a alguém que queira responder: o que ganham os miúdos com isto? Recordo-me quando joguei futebol que fiz isto várias vezes, mas isso já foi há quase 12/13 anos e isso era um modelo híper convencional e conservador. Hoje em dia, os tempos são outros, os treinadores têm ao seu díspor cada vez mais ferramentas para poder evoluir, para poder melhorar a qualidade dos seus treinos e para poderem ir de encontro às necessidades de cada equipa.

Volto a referir que não estou com qualquer tipo de presunção ou arrogância, é apenas a minha opinião. Sinceramente, e convido quem cá passar a participar, quais as vantagens deste tipo de treino?

Um abraço.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

SL Benfica vs FC Porto - A minha previsão





Jogo de grande intensidade em perspectiva. Duas excelentes equipas, as mais fortes candidatas ao título no meu entender, com estilos de jogo bastante diferentes, num jogo que poderá marcar ou pelo menos traçar um pouco daquilo que será o campeonato daqui para a frente. Vai ser curioso assistir a um clássico desta qualidade num momento em que as equipas se encontram em forma ou em crescendo, algo que pouco acontecia nas épocas anteriores. Vai ser por isso, um bom clássico.

SL Benfica: Jorge Jesus manter-se-á fiel ao seu 442 losango (ou falso losango), mesmo sabendo de antemão das baixas que possui e que influem positivamente no jogo da sua equipa. Terá claramente mais dores de cabeça, sobretudo porque não tem um jogador que tenha excelentes capacidades defensivas como tem Ramires e que seja um jogador que tenha pulmão e facilidade para aparecer na área contrária, por isso logo aí, antevejo dificuldades na escolha de Jesus para este posto, sobretudo porque também Ruben Amorim é baixa por lesão. Acredito que Aimar recuperará e será uma peça importante entre linhas da equipa adversária, apesar de em Alvalade, com dois pivots mais defensivos, Aimar tivesse dificuldade em aparecer. Di Maria e Coentrão também não poderão dar o seu contributo. Sabendo-se que Jesus gosta de dar largura ao seu jogo pelos flancos (mais o esquerdo que o direito), não tem os seus melhores flanqueadores e convenhamos que César Peixoto, aventado como possível substituto de Di Maria, não é esse jogador, até porque também ao colocá-lo como médio-ala, atrás ou terá de colocar um Shaffer que não convence, ou adaptar um David Luiz claramente mais influente e capaz na zona central do terreno. Vamos ver o que terá Jorge Jesus na cabeça.

FC Porto: Aqui, tudo depende da mentalidade de Jesualdo Ferreira. Se respeitar em demasia o adversário pode ter dissabores, se mantiver a sua identidade ao nível do seu modelo de jogo, poderá ter mais oportunidades de vencer o encontro que como sabemos, é especial na nação portista, pela enorme rivalidade que prevalece e também pela classificação das duas equipas. Neste jogo, se fosse Jesualdo Ferreira, não apostaria nos pontas de lança tradicionais, Falcão ou Farias. Apostaria em Hulk na zona central, com Varela e Rodriguez nos flancos. E porquê? Porque neste jogo, as transições rápidas, afinal a grande chave mestra desta equipa, acredito que serão importantes e ter jogadores com boa capacidade de decisão e irreverência em posse, será importante, porque nem Falcão nem Farias, reconhecendo-se a sua enorme capacidade finalizadora, têm essa capacidade, sendo mais pontas de lança de área num encontro que exige intensidade e rapidez de processos. Mas sinceramente, creio que a chave do sucesso do Porto neste jogo, passa também em muito pelo segundo interior, neste caso o homem que acompanhará Raúl Meireles, o típico médio de transição, no meio campo mais ofensivo. Valeri? Guarin? Belluschi? Tomás Costa? Ali é necessário alguém com grande clarividência de processos, com um bom primeiro passe na transição ofensiva, capaz de provocar desequilíbrios mais à frente, e com boa leitura táctica do jogo. Será Belluschi jogador para este encontro? Eu pessoalmente dos referenciados, descartaria Guarin e Belluschi, ficando Valeri ou Tomás Costa. Apostaria no primeiro, Valeri.

Será acima de tudo um jogo em que um dos candidatos perderá pontos, esperando-se um excelente espectáculo de futebol e golos, muitos golos. Divirtam-se senhores.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A postura do treinador no banco de suplentes



Enérgico ou mais calmo? A dar indicações ou mais observador? Acima de tudo, neste ponto, acredito que advém da personalidade do próprio treinador, das expectativas que tem para determinado jogo e sobretudo, da forma como o próprio jogo está a decorrer e ainda contando com a performance da equipa. Tenho na imagem um jogo que em início de época fui ver, da Liga Vitalis, em que o treinador da equipa visitante manteve-se de pé o jogo inteiro sem dar uma única e qualquer indicação para dentro de campo, mesmo vendo a sua equipa, que até apresentou momentos de bom futebol, ser goleada.

No meu caso pessoal, não consigo estar quieto. Quer dizer, tem jogos. É criticável a minha postura, acredito que sim, mas costumo dizer aos meus jogadores que estarei ali ao lado deles para os ajudar e que serei mais um campo. Gosto de dar indicações, de corrigir posicionamentos, sempre e quando acho necessário e não sou do tipo de treinador mais passivo, gosto de estar bem activo, até pela vantagem que tenho de no futebol de 7, poder percorrer toda a linha lateral, acompanhando assim o jogo mais de perto. Costumam-me dizer na brincadeira que faço mais kms na linha lateral de que o Jorge Jesus. Já procurei interiorizar que muitas vezes devo estar mais calmo, mas sinceramente, é-me difícil. Gosto de estar ali a acompanhar os meus jogadores, a incentivá-los, etc, etc. Também sei que isto é fruto de alguma inexperiência e que com o tempo, a energia se vai dissipando, mas sou um pouco assim, vivo muito o jogo e acho que não devo ser criticado por isso.

E vocês, como se sentem ao orientar uma equipa? Participem.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Futebol Espectáculo (com vídeo)



Neste vídeo, no golo de ontem de Xavi frente ao Dínamo de Kiev, podemos ver a verdadeira identidade do Barcelona, a sua verdadeira matriz. Contabilizem o número de passes curtos e certeiros, antes do cruzamento final e perfeito de Abidal para o golo. Dá gosto sentir e ver uma equipa com tão bons príncipios de jogo, que alia o jogar bonito às vitórias e que se sente tão confortável com a bola na sua posse. Um verdadeiro hino ao futebol este golo e o encadeamento da jogada do Barcelona, sobretudo se atentarmos o número de jogadores que numa primeira fase o Dínamo teve atrás da linha da bola. Controle, mobilidade, cobertura ofensiva, penetração, GOLO! Um hino ao futebol.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Erro ou uma Questão de Identidade, Villas Boas?



Certamente, para quem viu ontem a goleada imposta pelo Benfica à Académica, se centrou nisso mesmo. Ora pela qualidade exibicional da equipa da casa, ora pelo seu rolo compressor e boa ligação com as balizas, certamente é isso que ficará sempre na retina. Ontem, para além de ver o jogo, procurei estar atento à performance da Académica, afinal a grande derrotada de ontem e no fim do jogo, questionei-me para mim próprio logo que ouvi André Villas Boas falar em conferência de imprensa. Disse o treinador da Briosa, que quis manter a identidade da equipa e não vir à Luz como a mais comum das equipas, estacionar o autocarro.

Pelo resultado, logo vemos que se calhar hoje, AVB poderia ter tido outro tipo de estratégia. Ainda assim, admirei a ousadia. Tal como no Dragão, a Académica deixou uma excelente imagem ontem e quanto a mim, a continuar assim, estará certamente longe dos lugares da despromoção. Continuo na minha ideia, não há estratégia que resista à qualidade individual dos jogadores e isso notou-se ontem. Apesar de tudo, a Académica demonstrou grande personalidade: defesa subida, boa ocupação dos espaços na zona intermediária, zonas bem definidas de pressão, em posse muito confortável com a bola e sabendo bem o que fazer, foi uma equipa agradável ontem, quanto a mim. Pecou por erros defensivos, nomeadamente na sua zona central e teve na qualidade individual dos jogadores adversários, um grande obstáculo. E quando assim é...

Agora fica sempre a questão: faria melhor André Villas Boas se baixasse o bloco e as suas linhas, estacionando o autocarro em frente à sua baliza? Não sabemos, sabemos é que Paulo Sérgio fê-lo e acabou por vencer, mas também sabemos que não existem jogos iguais, mentalidades idênticas e formas de compreender o jogo. Positivamente ou não, dependendo da perspectiva de cada um, Villas Boas tem uma forma positiva de abordar o jogo, mesmo que isso implique as consequências do resultado de ontem. De uma coisa tenho a certeza: esta Académica apresenta uma agradável qualidade no seu jogo e certamente ainda terá muito a mostrar no seu campeonato.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O novo Sporting de Carlos Carvalhal



Carlos Carvalhal chegou e após a rábula de nem sequer ter sido apresentado oficialmente  (péssima atitude), provocou mudanças a vários níveis no plantel do Sporting. Desde mudanças de métodos de treino, às constantes palestras com o plantel e individualmente, à mudança do sistema táctico e consequente modelo de jogo, Carvalhal fez e a meu ver bem, uma autêntica ruptura com o passado que convenhamos, era mais do que necessária. Analisemos:

Metodologia de Treino

Neste ponto, Carvalhal tem muitos pontos a favor. Novos métodos de treino, treinos mais agressivos e intensos, maior trabalho a nível táctico (já se notaram algumas coisas) e a implementação de treinos bi-diários, que não acontecendo sempre, se fazem sentir, que era coisa que com a anterior equipa técnica, não existia. Na equipa técnica de Carlos Carvalhal, não há a figura do preparador físico, sendo que as despesas a esse nível, ficam a encargo do próprio treinador principal, com reconhecidas competências para o efeito;

As palestras e as conversas individuais

Tem sido uma constante ver Carvalhal em conversas com o grupo ou mesmo a nível individual, com todos os jogadores. Numa altura em que a equipa tem estado com os indices anímicos por baixo, Carvalhal tem e bem a meu ver, puxado o astral da equipa para cima, mostrando que a mesma tem mais valor e capacidade do que aquilo que tem mostrado. É também uma forma de Carvalhal ganhar o grupo e puxá-lo para si, mantendo uma relação de cumplicidade e proximidade com a equipa. Neste aspecto, sabe-se que Carvalhal é extremamente fortíssimo, pois tem um excelente dom de palavra e tem uma forma de falar com os jogadores que é muito apreciada por estes, segundo relatos de ex-jogadores seus;

Esquema táctico e o modelo de jogo alterados

Com Carlos Carvalhal, o Sporting mudou. O famigerado e criticado 442 losango da era Paulo Bento parece ter-se esfumado (é um óptimo sistema se for bem trabalhado...), dando lugar a um 4231 com um preenchimento dos espaços mais equilibrado e uma maior largura no seu jogo a nível ofensivo. Com este sistema, Carvalhal priveligia a utilização de extremos, que sendo coisa que o Sporting tem pouco (Izmailov, Vukcevic, Pereirinha, Angulo ou Yannick), parece-me evidente uma ida ao mercado em Janeiro. Neste sistema, destaco uma maior liberdade de Matias Fernandez entre linhas, apesar de o chileno ainda ter que se adaptar, estou certo que é um sistema que pode ser benéfico para si; Liedson actuará sozinho na frente e aqui uma enorme curiosidade para perceber como será o seu rendimento e como será a adaptação a um lugar que agora só está reservado para si; João Moutinho na posição que me parece mais capaz, como médio centro, uma espécie de box to box com capacidade para criar e organizar o jogo da equipa; um médio centro com tarefas mais defensivas, imbuído ainda assim na manobra ofensiva.
Tenho também reparado numa maior vontade de sair a jogar, quer nas reposições do guarda redes, nas saídas de bola (já não tenho assistido ao pontapé longo de Polga para a frente) e uma maior vontade de jogar um futebol apoiado, curto e mais largo, com todas as suas linhas mais próximas.

Em suma, Carvalhal provocou uma ruptura com o passado. Há ainda muito trabalho a fazer, muito para consolidar, mas ninguém pode acusar o treinador de não ter convicções próprias e de as trabalhar. Oxalá tenha sorte. Bem vai precisar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Comunicação (com vídeo)



Para observar, reter e aprender. Guardiola como outros treinadores (falo dele porque é o trabalho que mais acompanho) é dos treinadores do mundo, com melhores formas de comunicação, mesmo através das suas conferências de imprensa e em aparições públicas perante a comunicação social. Usa e abusa do seu bom dom de palavra para passar sempre a sua mensagem. Comunicação também é isto, é usar todos os meios possíveis e imaginários para mostrarmos a nossa filosofia enquanto treinadores, passar a mensagem à equipa ou ao exterior, ser forte quando é necessário, ser prático a toda a hora. Esta é a última parte de um trabalho feito por um adepto sobre as conferências de imprensa de Guardiola durante a época passada, gloriosa para o Barcelona. Atestem na capacidade do líder. Que o sigam.

O regresso à competição



Depois de uma pausa por motivos de força maior, regressamos à competição no dia de ontem e demos início a uma série de três jogos numa semana, fruto do adiamento dos jogos que tínhamos nos fins de semana anteriores. Sinceramente, já não era sem tempo, é um pouco frustrante treinarmos e sabermos que no fim da semana não temos o nosso doce, que é a competição e o avaliar de como estão a decorrer as coisas. Até ao momento, o balanço é positivo, estou a gostar muito e agora há que continuar a planear e a organizar bem as coisas, para que tanto eu como a equipa possamos continuar a aprender e a evoluir cada vez mais. Quinta feira é o regresso aos treinos e estou certo que será mais uma sessão bastante proveitosa.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Barça de Pep Guardiola



Em 25 anos de idade, esta é a melhor equipa que já vi jogar e sobretudo, a que me dá mais prazer ver. Acompanho o trabalho de Pep Guardiola desde o tempo em que assumiu a equipa principal do Barça e, apesar das dúvidas de muitos, achei que estaria ali um brilhante futuro treinador, que teve os maiores professores enquanto jogador e que poderia e bem ser um enorme treinador. Gosto de acompanhar e ver vídeos e fotos dos treinos do Barça que por vezes os jornais espanhóis colocam, assim como todas as conferências de imprensa do timoneiro catalão. Jovem, dedicado, detalhista, obcecado, é o líder do melhor futebol da Europa. Em baixo, deixarei um link com algumas das suas ideias, pelo que se pode perceber muita coisa.

Este Barcelona tem tudo o que um qualquer treinador desejaria colocar em prática nas suas equipas: grande capacidade de controlo e posse da bola, futebol largo e aberto assente na qualidade dos seus extremos, com grande capacidade de fazerem diagonais para dentro, espectacular capacidade de fazer campo grande e campo pequeno num estalar de dedos, dois médios com grande capacidade de definir os tempos e ritmos de jogo como bem lhes convém, um lateral que faz do seu flanco uma autêntica auto-estrada, um trinco com grande capacidade para destruir jogo, uma linha defensiva bem alta e um guarda redes que apesar de não ser do meu agrado, se sente muito à vontade com a bola nos pés e como diz Guardiola, talvez seja o único guarda redes ideal para o Barcelona.

Tem jogadores para isto? Tem, claro. Mas tudo isto trabalha-se, trabalha-se e trabalha-se. Guardiola não abdica nunca do seu modelo de jogo, é esta a sua forma de jogar. Posse de bola, movimentos sem bola, paciência, rupturas, mobilidade, mobilidade, posse de bola, mobilidade, futebol largo, etc, etc. É isto. Mas isto trabalha-se e nesse aspecto, Guardiola tem todo o mérito do mundo. É o treinador do momento e a sua equipa pratica o melhor futebol da Europa com jogadores de alto quilate. Ontem, ao ver um pouco o seu jogo (depois do meu treino) contra o Inter, continuei a reparar na intensidade com que Guardiola vive no banco de suplentes, encostado à linha, a esbracejar, a dar indicações, a motivar., ao contrário de um Mourinho em silêncio, apático, impotente para mudar o que quer que seja (o que se passa José?). O seu Barça joga muito (o de Guardiola), mas mesmo assim nunca se dá por satisfeito. O seu Barça vence, mas mesmo assim reinvindica os louros completos para os seus jogadores. Não se vê um único atleta a dizer mal das capacidades de liderança de Guardiola. É este o treinador modelo. Que foi capaz de dispensar Eto'o e assumir as responsabilidades (apesar de Ibra marcar e estar a render, o futebol do Barça era mais explosivo com o camaronês). Hoje vence, amanhã pode não vencer, mas estou certo que com este modelo e esta filosofia, este homem merece vencer sempre.

Porque quem alia a vitória ao espectáculo, não merece o purgatório. 'Gracias Pep'

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A relação Treinador - Atleta

Uma das variantes mais importantes do futebol, no meu entender. Costumo dizer que uma máxima sincronização entre treinador e os seus atletas, levam a resultados mais positivos. A comunhão deve existir, baseada no respeito mútuo e no saber qual é efectivamente o lugar de cada um na hierarquia. Acho ainda que, embora todos os atletas devam ser tratados por igual, pelo facto de terem personalidades diferentes, entendo que cada caso deve ser um caso, mas sempre com o sentido da coerência e justiça perante o grupo. Não sou ninguém para estar a falar disto, falo apenas da minha ainda curta experiência como treinador, pois como se sabe, nem só dos treinos e dos jogos, vive o treinador de futebol.

No meu caso, procuro ter uma relação próxima com os meus atletas, mantendo a distância que deve sempre existir e nas minhas ideias existe uma principal: não tolero faltas de disciplina, nem de respeito. Isso para mim é inconcebível. Comigo, pessoalmente, ainda não me aconteceu e não espero que aconteça. Gosto muito de dialogar com os meus atletas, conversar com eles, incentivá-los a melhorar, dar-lhes os parabéns quando é necessário e "dar-lhes na cabeça" também quando é preciso (e são muitas vezes). Sou tolerante e compreensivo quando entendo que devo ser, já não sou assim quando as situações passam fora das marcas. Sou muito exigente e acho que os próprios miúdos não estavam habituados a isso, mas creio que mais tarde darão o devido valor. Entendo que quando se está imbuído em algo, ou somos exigentes connosco próprios, ou nem vale a pena estarmos ali. Acima de tudo, procuro estabelecer uma relação de confiança mútua em que os atletas saibam que podem conversar comigo e eu com eles, porque somos uma equipa e porque acho que devemos ser o mais unidos possível, mas dentro do treino, exigência e concentração máxima é só tudo o que peço. Nem sempre é possível, mas faz-se por isso.

Há sempre aspectos a assimilar deste tema e como toda a gente, ainda procuro estudar as melhores maneiras a agir em certo tipo de casos, mas com o tempo e com a experiência, afinal o nosso melhor treino, estou certo que evoluirei também nesse aspecto.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A vitória de Paulo Sérgio



Uma das mais importantes da sua carreira até ao momento, foi ontem no Estádio da Luz. Com alguma pontinha de sorte à mistura, mas com a lição muito bem estudada, assente numa postura de contenção e contra-ataque com um Targino em ritmo de motociclismo, conseguiu um resultado que poucos esperariam. No meu entender, foi sobretudo inteligente a forma como colocou dois pivots defensivos à frente de uma linha defensiva tendencialmente baixa, tapando o grau de influência de Aimar, que é um jogador influente na manobra ofensiva benfiquista. Aimar apareceu pouco e o Benfica, apesar de ter criado soberanas situações de golo, não foi o rolo compressor que o seu treinador tanto vinha a prometer, com o desespero e a ansiedade naturais de quem está em desvantagem, a obrigar o Benfica a flanquear mais o seu jogo e a apostar em cruzamentos para a área (quantos lances aéreos ganhou o Benfica na área do Vitória? Pois...). Como disse, muita personalidade mostrou o Vitória, numa postura defensiva, mas tacticamente bem estudada (apenas Targino ficava à frente da linha da bola) e assente no contra ataque. Teve sorte, mas a atitude guerreira, esforçada e de sofrimento desta equipa, valeu-lhe a alegria no fim. Para Jorge Jesus, é uma derrocada nas suas ambições. De nada adianta os tais massacres que fala, se no fim as bolas não entram, porque o significado e o objectivo do jogo é o golo. Dos três grandes, ainda assim creio que é o Benfica que tem o seu modelo de jogo mais regular, mais capaz e sobretudo mais consolidado.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Há dias assim...

Ontem foi dos dias em que me senti pior como treinador. Tinha o meu treino todo bem planeado, no meu entender bem organizado e acreditava que iria ser uma sessão proveitosa. Pois bem, pouco ou nada disso aconteceu. Não vale a pena enunciar os motivos, mas certamente compreenderão que ser treinador de miúdos de 10/11 anos é tudo menos fácil e a paciência é palavra constante em cada treino. Muitas vezes, de pouco ou nada adianta conversar, tentar educar e tudo o resto. Quando a vontade é pouca, não há muito a fazer. É complicado chegar-se a um clube e mudarem-se mentalidades. E depois claro, há o sentimento de impotência em que sentimos que nos esforçamos imenso para que tudo saia bem, nos preocupamos com a equipa e em formas de evoluir cada vez mais e no fim nada sai como esperamos. Quem é treinador de futebol de formação, certamente deverá saber como me sinto e saberá do que eu falo. Enfim, como só temos treino segunda-feira e porque só voltamos a competir oficialmente no dia 1, vai ser bom espairecer um pouco este fim de semana e esperar que na segunda-feira, as coisas já corram melhor. Vida de treinador é assim mesmo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Exercício - Posse de Bola - Transições - Pressão sobre o portador da bola



Um dos exercícios de posse de bola que reúne a minha maior preferência. Não deve ser novidade para alguns dos treinadores que cá passam, mas ainda assim é no meu entender, um exercício muito bom.


Descrição: Duas equipas de 4 jogadores, que estão  divididas em dois grupos de 2 jogadores. Quando a equipa dos amarelos está no seu campo (um quadrado delimitado por mecos), só um dos grupos da equipa adversária, alternadamente, pode entrar nesse quadrado, havendo circulação de bola de 4x2. Quando o grupo de 2 azuis conseguir roubar a bola aos amarelos, tentam de imediato colocar a bola no seu campo, o quadrado que está ao lado com os outros 2 azuis. Se o conseguirem, o jogo transita para o quadrado dos azuis, passando estes a jogarem com os 4 jogadores contra um dos grupos de 4 amarelos (dois à vez).

Objectivos: Circulação de bola com segurança na equipa com posse de bola; apelo à mobilidade em posse de bola dos jogadores sem bola, oferecendo linhas de passe; rápida resposta dos dois homens que estão na procura da recuperação de bola, procurando reduzir espaços e sendo rápidos e incisivos na pressão ao portador da bola; rapidez nas transições de um campo para o outro, dependendo da largura e comprimento do exercício;



Variantes: Pode-se delimitar um número de passes entre as equipas: quem conseguir efectuar dez passes seguidos no seu campo, vale um ponto e assim sucessivamente.

O bichinho pela competição

Por motivos de força maior, só voltarei a jogar no próximo dia 1. Foram adiados os dois próximos jogos, pelo que oficialmente só daqui a uma semana e alguns dias, regressarei à competição. Por um lado, já estou habituado à emoção do jogo, à rotina de dia de jogo, à preparação, às noites mal dormidas a pensar em certas e determinadas opções, a tudo. Mas, pensando pelo lado positivo, se calhar esta paragem vai ser positiva para mim e para a minha equipa, pois teremos mais tempo de nos continuarmos a preparar melhor e assimilar maiores rotinas ao nível do treino e da nossa forma de jogar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Exercício: 2x2 - 3x2 - Príncipios de jogo



Um exercício muito simples em que trabalhamos alguns príncipios de jogo como a penetração, a contenção, a cobertura defensiva, a cobertura ofensiva, a mobilidade, etc, etc. Por príncipio costumo fazer 2x2 (dois defesas + dois atacantes), mas desta vez decidi colocar um terceiro homem, por norma um médio centro ou até mesmo um avançado que num sistema de jogo sirva de apoio aos homens do meio campo e que tenha boa capacidade de rodar a bola pelos flancos. Passível de ser utilizado nos escalões de formação.

Descrição
 
Numa primeira fase, um dos dois defesas faz um passe em diagonal à distância para um dos homens nos cones amarelos e sai juntamente com o seu colega defensor para impedir a progressão do homem que recebe a bola e do outro homem que actua em apoio, fazendo 2x2. Numa segunda fase, coloca-se outro homem e trabalha-se uma situação quer de inferioridade quer de superioridade numérica, com esse terceiro homem a fazer cobertura ofensiva aos dois homens em posse de bola;

Objectivos

Aos atacantes, pede-se uma boa mobilidade, capacidade de definição rápida e boa capacidade de segurar a bola, atacando a baliza pela certa, caso o processo defensivo esteja a ser demasiado cerrado e bem feito. Aos defensores, pede-se um excelente posicionamento defensivo, assente numa boa cobertura defensiva, boa capacidade de contenção e bom controlo emocional, importante para não se tomarem decisões repentinas, passíveis de prejudicar a equipa defensivamente. Ao terceiro homem, a funcionar como cobertura ofensiva, pede-se lucidez e inteligência com a bola, funcionando sempre como motor do processo ofensivo e oferecendo sempre linhas de passe, com capacidade ainda para fazer circular a bola de modo correcto e seguro com os dois homens da frente;

Variantes

Em 2x2, pode-se incluir um número de passes que têm que ser dados antes de se poder procurar a baliza e o golo e pode-se definir ainda a zona até onde os defensores podem agir. Em 3x2, podemos definir que a bola tem que passar pelos três atletas em fase ofensiva antes de se poder atacar o golo, ou procurar-se manter a bola entre os três homens e só ao fim de um 'x' número de passes, se ter como objectivo o golo.




PS: Peço desculpa se a compreensão e a explicação do exercício não estão assim tão fáceis de depreender. Qualquer dúvida, não hesitem em expôr.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Carlos Carvalhal



Ponto prévio e declaração de interesses: André Villas Boas era o treinador que gostaria de ver à frente do meu clube e as razões estão noutro artigo ainda neste espaço, é só procurar. Sem ser surpreendente, o Sporting não conseguiu a sua contratação e esperava-se uma resposta firme, ambiciosa e de acordo com os pergaminhos que o clube ostenta. Carlos Carvalhal foi o escolhido. Creio que diz tudo, mas sobretudo o que me faz mais confusão é a terrível falta de confiança que os dirigentes demonstraram ao propôr o seu contrato. Está lá tudo. Sobre Carlos Carvalhal, dizer que nada tenho contra a sua pessoa e enquanto treinador. É a oportunidade de uma carreira e todos merecem o direito à vida. A sorte sorriu a Carvalhal. Ou então não. O Sporting é um desafio aliciante mas é por ora, um osso bem duro de roer e estou em crer que nem o próprio Carvalhal sabe onde se meteu. Adepto do estudo, das novas tecnologias, com elogiados métodos de treino, licenciado e um dos discípulos do Professor Vitor Frade, Carvalhal tem a teoria toda na cabeça, mas isso por si só não chega. Adepto do 433, duvido que o consiga implementar em Alvalade, mas gostaria muito de ver regressar os extremos a Alvalade. Veremos se tem unhas para tocar esta pesada viola. Acho que nem ele sabe onde se meteu, sendo segunda ou terceira escolha. Mas a ele, porque não tem culpa do cartório, bem vindo e as maiores felicidades.

sábado, 14 de novembro de 2009

A preparação e o planeamento nos treinadores de futebol

Para mim, essenciais.

Ainda estou um pouco verde para me pronunciar muito bem sobre isto, mas enquanto treinador, dou muito valor. Nada é ao acaso, gosto de ter tudo programado ao detalhe, desde o treino até ao jogo, consoante o mais razoável e dentro das minhas possibilidades. Considero um bom método de organização de um treinador. O planeamento é fundamental. Dá-nos a imagem de treinadores metódicos, organizados e traçados pelo melhor caminho. Quer seja nas sessões de treino, quer nas palestras e nas intervenções aos miúdos, nos aquecimentos aos jogos e até nas observações ao adversário, procuro pensar bem no quero e para aquilo que procuro. Certamente que isso não me garante resultados, nem grandes exibições, mas estou certo que a minha consciência ganha e fica tranquila com isso. Sei que dou e faço o melhor de mim. O resto é sempre para os artistas da bola, os verdadeiros protagonistas do jogo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A nova geração de treinadores



Cada vez mais assistimos a clubes médios ou de menor dimensão, a apostarem em treinadores mais jovens, não tão consagrados, mas com um novo ar, uma nova abordagem ao jogo e aos processos de treino e os resultados obviamente vão aparecendo. Saúdo esta aposta nesta gente com uma mente mais ambiciosa, mais evolutiva e com capacidades enormes de projecção. A imagem dos quatro treinadores poderia ser mais alargada com outros, como por exemplo Jorge Costa, que também merecia estar nesta montra. Percebe-se esta ideia dos clubes. Cada vez mais há a preocupação de dotar as suas equipas de um conhecimento maior, de inovadores processos de treino e lá está, de uma linguagem e de uma comunicação mais jovem e empreendedora. Vamos caso a caso:

Mitchel Van der Gaag: Era treinador do Marítimo B, sem termos quaisquer conhecimento de resultados por si alcançados, mas trouxe uma nova qualidade e um novo potencial ao futebol do Marítimo, que é reconhecidamente uma boa equipa. Excluiu o uso do autocarro quer em Alvalade, quer na recepção ao campeão nacional e os resultados estão à vista. Além do mais, os jogadores têm elogiado os seus métodos. É por isso, um treinador a seguir com atenção;

Domingos Paciência: Já tinha falado dele anteriormente, tendo dito que me surpreendeu a sua meteórica ascensão no Braga. É mais um dos crónicos substitutos de Jesualdo Ferreira na sua eterna casa. Realizou um óptimo trabalho na Académica e agora segue muito bem colocado e com uma óptima prestação a nível interno no nosso futebol. Tem métodos e uma comunicação mais leve em relação ao seu antecessor no seu actual clube e as coisas têm corrido bem;

André Villas Boas: É o treinador da moda em Portugal. Discurso altamente coerente, humilde mas também ambicioso quanto baste, com métodos de treino inovadores, decorrentes dos anos que esteve com o seu mestre José Mourinho, é um ar positivo e inovador para a nossa Liga. Gosto de o ouvir falar, gostava de um dia de assistir a um treino seu e pessoalmente, gostaria que fosse o novo treinador do Sporting CP. Tem a inovação, a evolução e a ambição necessárias para ser um treinador de elevado sucesso;

Lito Vidigal: Treinador discreto mas com boas sensações. Teve um excelente trabalho no Estrela da Amadora até sair pelas conhecidas razões, prosseguiu o seu trabalho no Portimonense, elevando esta equipa algarvia ao topo da Liga Vitalis e agora está na União de Leiria, onde o início tem sido claramente prometedor. Jovem, discreto, não conheço os seus métodos de treino, mas é também ele um treinador jovem a seguir com atenção;

domingo, 8 de novembro de 2009

A primeira derrota

A vida de treinador é feita de vitórias, empates e derrotas. Nenhum está imune a isso. Sofri ontem a minha primeira derrota oficial enquanto treinador, frente a um adversário forte, com boas capacidades, com outras estruturas e condições e claro, com boa qualidade. Resultado justo. Custou-me imenso a digerir este resultado, ninguém gosta de perder, mas como treinador admito que após o apito final e após confortar os meus atletas e dar-lhes os parabéns pela atitude e esforço que tiveram, fiquei algo tocado e tive que ficar um pouco mais só a digerir o resultado. É o normal. Vencer ou ser derrotado, fará sempre parte da vida de um treinador e temos que ser fortes mentalmente e estarmos cada vez mais preparados para isso. Há é que saber manter sempre o nível quer no sucesso, quer no insucesso. Nem todos têm essa capacidade, eu procurarei sempre estar ao mesmo nível. Agora, o caminho faz-se caminhando e é tempo de seguir em frente, confiantes no nosso trabalho e nas nossas capacidades que vem aí mais uma semana de treino.

sábado, 7 de novembro de 2009

Obrigado Paulo Bento



Esqueçam-se todas as críticas ao futebol apresentado pelo Sporting, todas as teimosias tácticas, todas as opções discutíveis que como treinador tomou. Ontem, como sempre, foi um senhor. A nível humano, nada se lhe pode imputar. Deu sempre a cara pelo clube, defendeu-o até à morte e ontem na saída provou mais uma vez ser um homem de grande carácter e homens destes, tenham as limitações que tenham, merecem ser felizes. Quero agradecer a Paulo Bento todo o trabalho ao serviço do Sporting nestes quatro anos. Acredito que não tenha sido nem esteja a ser fácil para Paulo esta saída depois de vários anos na mesma casa, por isso compreendo a emoção. Hoje, não estou aqui para criticar o seu losango ou as suas opções, estou aqui para elevar o homem que sempre defendeu o Sporting de tudo e de todos, quando a sua principal função não era essa. Homens com esta personalidade, verticalidade e carácter, encontram-se poucos. Soube reconhecer que não deveria ter estado tanto tempo no Sporting, pois a sua imagem acabou desgastada. Teve a dignidade de saber assumir que as coisas não estavam bem e era preciso mudar. Foi responsável, deu a cara. Gosto de pessoas assim. Ao Paulo Bento homem e profissional, quero desejar-lhe as maiores felicidades a nível pessoal e profissional, esperando que a sua carreira seja fértil em sucessos, sejam eles onde forem. Para seu sucessor, sem qualquer dúvida, apostaria em André Villas Boas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sporting CP - Análise táctica e sugestões alternativas



Antes de mais, não concordo com aqueles que referem que um dos principais problemas do Sporting é o seu sistema táctico. Acho que, mediante uma avaliação cuidada, é o sistema mais correcto para o Sporting, mas também acho que existem alternativas e que se a equipa técnica pudesse analisar a fundo e pensar em alternativas, acho que o Sporting ficaria a ganhar.

Modelo de jogo gasto

Como referi, gosto do 442 em losango, é aliás um dos sistemas mais em voga no futebol mundial, mas como todos, precisa de ser bem estudado, bem trabalhado e sobretudo tacticamente, não é fácil construir um modelo de jogo a partir daqui. É esta a maior dificuldade do Sporting. O seu modelo de jogo está gasto. Que me lembre desde a entrada de Paulo Bento, a equipa manteve sempre os mesmos comportamentos, ora desde a primeira saída de bola ser um passe directo de um dos centrais ou do seu médio defensivo, para a zona atacante procurando desposicionar a defensiva contrária, ora das diagonais para as faixas constantes do seu médio mais ofensivo, oferecendo uma linha da passe ora ao médio mais interior ou ao lateral que sobe no terreno, o Sporting mantém os mesmos comportamentos, logo um sistema teoricamente mais previsível, mais facilmente estudado pelo adversário, mais facilmente aniquilado. Acho que Paulo Bento, a querer manter o seu sistema predilecto (aquando da sua entrada como treinador, tentou impôr o sistema 442 losango como sistema de jogo desde a formação até à equipa principal, algo prontamente rejeitado), terá que rever os comportamentos da equipa e no fundo, incutir novos movimentos, novas estratégias. Tocando nesse ponto, a equipa do Sporting é demasiadamente estática no terreno. Por vezes, ao assistir a um jogo da equipa, procuro perceber os movimentos que os homens do meio campo e ataque preconizam, mas eles são nulos. A equipa é estática. Paulo Bento sempre soube reconhecer isso, mas o que é certo é que os problemas subsistem. Por isso, se quiser manter o mesmo sistema, terá que rever os processos da equipa.

Possíveis Alternativas

Não concordo que o 433 ou o 4231 não possam ser tácticas adequadas ao Sporting. Aliás, sempre achei que o 433 com um pivot defensivo, um médio box to box e um médio mais ofensivo, poderia ser um sistema a pensar. Desengane-se quem vem com a desculpa que o Sporting não tem extremos. Pergunto: Angulo e Pereirinha são o quê? Yannick fez a sua formação toda em que posição? E Izmailov e Vukcevic não renderiam mais caíndo nas faixas e com liberdade de movimentos da diagonal para dentro? Já pensaram no rendimento nulo de Angulo e Pereirinha? Obviamente que não são, nunca foram, nem nunca serão interiores. O problema é Liedson? Liedson nunca é um problema numa equipa, é sempre uma solução e não concordo que se use um sistema por causa de um só atleta. Não concordo, mas respeito. Eu apostava num 433 a nível ofensivo, convertido num 4231 a nível defensivo, ou então num 4411, com Miguel Veloso e João Moutinho como os dois homens do meio, Matias Fernandez com liberdade para criar entre linhas e Liedson sozinho na frente. Porque não tentar? É mantendo o mesmo modelo (repito, modelo diferente de sistema) e os mesmos comportamentos totalmente gastos e previsíveis que levarão o Sporting a outro patamar? O sistema 442 é bem pensado se for utilizado a um nível que uma equipa como o Sporting exige: de ataque continuado, confortáveis com a posse, com a pressão logo à saída da bola do adversário e com uma atitude ambiciosa e uma vontade de vencer inabalável desde o primeiro minuto, que é coisa que não acontece actualmente, fruto de uma atitude demasiado passiva e pouco motivada na abordagem aos jogos.

É apenas a minha opinião pessoal, estando susceptível a discordâncias.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Escrevam o que vos digo...



Este 'rapaz' vai ser um excelente treinador de futebol. Tenho acompanhado a Académica desde a sua entrada e dá para ver os excelentes príncipios que trouxe para a equipa, para além dos seus elogiadíssimos métodos de trabalho e de treino. No Dragão, a equipa já tinha dado muito boa imagem, defendendo alto, cortando os espaços para o adversário jogar e tendo bem definidas as suas zonas de pressão, para além de se sentir confortável com a bola na sua posse, foi sem dúvida uma agradável surpresa. Ontem, acompanhei alguma parte do encontro frente ao Vitória de Guimarães e notei novos bons processos: equipa confortável com a bola, procurando ter uma boa posse e jogando com paciência em alguns momentos do jogo e em vantagem, boa capacidade de reduzir os espaços e ser uma equipa mais coesa e compacta, advertidos que estavam para o previsível futebol directo dos vimaranenses, sendo rápidos nas transições defesa-ataque que causaram alguns problemas ao Vitória. Não sei o que vem daqui para a frente, mas continuarei a acompanhar o trabalho deste 'rapaz', sendo certo e seguro que me parece alguém com um futuro tremendo no futebol. Tem também um discurso com uma ponderação, elevação e classe extremamente assinaláveis e uma postura no banco e na leitura de jogo que são de assinalar. Escrevo e repito: André Villas Boas vai ser um grande treinador de futebol. Sapiência e capacidade não lhe faltam.

Agradecimento

Tenho recebido vários emails de vários treinadores, jovens como eu e não só, a relatar as suas experiências, a trocar ideias comigo, a debater assuntos sobre os quais estamos relacionados como treinadores, desde o lado desportivo ao lado humano e tem sido muito positivo. Quero agradecer publicamente a essas pessoas por cá passarem, por terem a amabilidade de me contactarem e no fundo por toda esta troca de ideias. Este blog está cá para isso mesmo. Aqui escrevo sobre o que me apetece e todos são livres de concordar ou discordar comigo, é para isso mesmo que existe o debate de ideias. Mas, até ao momento tem sido muito positivo e gratificante contactarem-me e fico muito contente por saber que as pessoas passam cá e gostam do que vêm escrito. A todos, o meu muito obrigado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Uma boa notícia

Johan Cruijff está de regresso ao mundo do futebol. 13 anos depois de ter deixado o banco de suplentes do Barcelona, o holandês vai orientar a selecção da Catalunha. O anúncio foi oficializado esta segunda-feira.

O antigo internacional holandês, membro incontornável da laranja mecânica dos anos 70, foi treinador do Barcelona entre 1988 e 1996 e conquistou uma Liga dos Campeões, quatro campeonatos, três supertaças de Espanha, uma Taça do Rei e uma Supertaça Europeia.

Antes havia conduzido o Ajax durante duas temporadas: 1986/87 e 1987/88.
Johan Cruijff tem 62 anos. Nas últimas três épocas a selecção da Catalunha efectuou seis jogos de carácter amigável.

O meu primeiro jogo oficial como treinador

Foi no passado sábado. Aconteça o que acontecer daqui para a frente, ficará para sempre marcado na minha memória. Confesso que foi difícil conter o meu intenso nervosismo e a minha ansiedade, o normal por estas alturas, mas procurei sempre não o passar para os miúdos que, ainda assim, estavam também eles naturalmente ansiosos. Durante o jogo, sofri imenso dentro de mim próprio, disso podem ter a certeza, mas tudo correu bem. Também me fui acalmando dentro de mim e transparecendo a tranquilidade necessária para os miúdos dentro de campo. Obviamente que também precisava disso para ter a serenidade e a lucidez necessária para fazer uma correcta leitura do jogo. Disse mesmo na brincadeira a quem me acompanhava que iria morrer cedo assim, mas penso ter sido normal por ter sido o meu primeiro jogo oficial e querer que corresse bem. Sou um bocado assim: gosto de ter tudo programado, dou muito valor a estas superstições, procuro sempre a maior organização possível de tudo e de onde estou inserido. Este primeiro jogo não foi excepção e foi tudo preparado ao detalhe e estou certo de que me será difícil mudar. Estou seguro também que nos próximos jogos estarei mais sereno, com a experiência saberei responder à altura e conseguirei gerir melhor as minhas emoções. Mas pronto, já passou e agora há que continuar o meu caminho com humildade mas sem nunca perder a ambição.

sábado, 31 de outubro de 2009

Com enorme Paciência...



Posso dizer o que vou dizer a seguir sem ter medo algum: surpreende-me pela positiva a ascensão da carreira de Domingos. Estou a ser muito sincero. Não estou a colocar em causa as suas capacidades, pois sempre me pareceu um treinador com grande margem para evoluir depois dos bons trabalhos em Leiria e sobretudo na Académica, mas não esperava rápido sucesso de Domingos em Braga, sobretudo por várias razões: a estrutura em Braga, parecendo que não, sempre foi um cemitério de treinadores; depois, a pressão inerente à vontade de crescer da própria equipa fez-me ter dúvidas sobre se Domingos teria capacidade de aguentar e resistir à pressão. As respostas estão aí. Domingos tirou todas as dúvidas e prova que a geração de jovens treinadores portugueses tem muito para mostrar e evoluir, porque qualidade não falta. A sua equipa não só é líder, como pratica um futebol vistoso, positivo, apoiado (apesar de hoje não parecer) e atacante e Domingos está um treinador em grande expansão. Não sei como vai terminar a época, mas neste momento acredito que o Braga é uma equipa com grande margem para se solidificar e ainda evoluir. E isto, como é óbvio, tem mérito do seu treinador que com paciência, vai chegando devagarinho ao topo... Para continuar a seguir atentamente a carreira de mais um "jovem" treinador português.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Momentos de José Mourinho (com vídeo)



Sem sombra de dúvidas, José Mourinho veio marcar uma era no panorama do treinador português. É de facto contagiante ver este vídeo e sentir arrepios na espinha com todos estes momentos daquele que é um dos melhores treinadores do mundo. Isto sim é viver o jogo, sentir paixão por aquilo que se faz e que se gosta de fazer e é a paixão e ambição da vitória e do querer sempre cada vez mais. É este o espírito. Contagia e muito e o homem é de facto especial.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Exercício: Recepção e Controlo Orientado (com vídeo)



Através de uma nova ideia em parceria entre a Nike e o Barcelona, é possível vermos alguns vídeos com alguns exercícios delineados pela equipa técnica de Pep Guardiola, neste caso com o seu treinador adjunto Tito Vilanova no comando e que me parecem importantes e proveitosos sobretudo para o futebol de formação. Neste exercício, vemos dois jogadores a trocarem passe entre si e onde o fundamental do exercício, é a qualidade da recepção orientada que fazem, para depois realizarem o passe sempre e cada vez mais com maior precisão. Disfrutem.

Forever?



Tenho muito respeito pela pessoa de Paulo Bento e como adepto do Sporting, agradeço-lhe por tudo o que de bom deu ao clube e por todas as defesas públicas que fez do clube nos bons e maus momentos. Parece-me evidente que só um cego ainda não viu que o seu ciclo chegou ao fim. A sua imagem está desgastada, a sua comunicação também, a forma como se manifesta dá a entender que os jogadores não fazem o que o treinador pede, o que é um sinal claro que os jogadores já não acreditam no trabalho do seu treinador e necessitam de sangue novo. Isso para mim é por demais evidente e reflecte-se nos jogos, nas exibições e nas vitórias e derrotas da equipa, porque mesmo vencendo, o Sporting não convence. É preciso puxar pela memória para relembrar uma exibição e vitória convincente da equipa. Paulo Bento não é o principal responsável mas é o treinador e não o relações públicas da equipa. É ele o responsável por tudo o que se passa dentro das quatro linhas em relação à sua equipa, não há como escamotear essa situação. Se me vierem falar da falta de argumentos em relação aos principais opositores, até posso aceitar parcialmente, mas quando vejo equipas como o Nacional e o Braga a praticarem melhor futebol do que o Sporting e com menos meios, acaba logo aí essa questão. Isso é desculpa dos coitadinhos. O plantel do Sporting é deficitário a nível qualitativo, mas tem condições para mais, muito mais e senão consegue e se se vê que é tudo tão espremido, está à luz de todos o que é preciso fazer. A mudança de treinador por si só não resolve, mas em Alvalade precisa-se de novo ar fresco e eu como adepto, preciso de voltar a sentir prazer em ver o Sporting jogar, que é coisa que não sinto à muito tempo. Por isso, Paulo Bento ao prolongar pessoalmente este estigma, está a demonstrar falta de personalidade e está a prejudicar o Sporting, clube que precisa urgentemente de uma limpeza geral.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Jorge Jesus - Manuel Machado



Nunca percebi bem de onde vem esta rivalidade entre estes dois excelentes treinadores portugueses, mas à luz do que assisti ontem e do que por vezes ouço ou leio na comunicação social, nenhum deles fica bem na fotografia e parece-me que esta competitividade entre treinadores é um pouco ridícula. Gosto de Jorge Jesus enquanto treinador. Do que pesquiso e do que muitas vezes me falam, inclusive ex jogadores seus, é do melhor que um jogador pode querer, porque é exigente, quer a perfeição e faz com que os seus jogadores evoluam, isto para além dos seus conhecidos métodos de treino. Foi um treinador que veio em crescimento sustentado até onde está, sendo hoje um dos treinadores portugueses da moda. O problema vem depois: Jesus é bom treinador, como é arrogante e presunçoso. Temos exemplos disso e o gesto de ontem não é único. Aí é que está a sua grande falha porque como homem do futebol que é, deve saber que hoje podemos estar no topo, mas daqui a uns tempos poderemos estar na lama e de nada nos serve estas atitudes. Não estou aqui para ensinar ninguém, é a minha opinião sincera. Depois vem Manuel Machado, outro treinador em crescimento sustentado, o treinador que fala mais caro em Portugal e que um dia ficou na memória por dizer que não acreditava em sistemas tácticos, mas sim no bom preenchimento dos espaços por parte dos seus jogadores. Parece-me que tanto um como outro se estão a perder em quezílias ridículas e que nada os dignificam como bons treinadores que são. Mas, sinceramente acho que não vai ficar por aqui...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nota - Aviso

Venho informar quem amavelmente visita este espaço, que a partir deste momento deixarei de escrever sobre a minha equipa e sobre tudo o que envolve o clube, desde trajectos, treinos, jogos, etc, etc. Informo também que todos os posts relacionados com tal serão eliminados. A partir de agora, escreverei apenas sobre o que me interessa como treinador, ou sobre o treino, ou sobre exercícios, ou apenas por assuntos que queira analisar, mas sempre tudo num carácter pessoal e muito particular. Após algumas opiniões de pessoas que respeito e me dizem muito, sobre a forma como este espaço estava a ser gerido e por coisas que escrevia que supostamente não o deveria fazer, entendi tomar esta medida. Não porque me preocupasse com o que estava escrito, pois sei viver com o sucesso e com o insucesso, sei que ainda tenho que "pedalar" muito para ser um treinador na verdadeira concepção da palavra, e não me considero uma pessoa presunçosa ou arrogante, muito pelo contrário, sei quais são as minhas raízes e a minha forma de ser, mas para evitar mal entendidos ou criação de imagens e personalidades erradas, decidi tomar esta medida. Estou certo que não será por aí que me deixarão de visitar. Continuarei a falar de tudo, mas a nível pessoal. Espero que compreendam.

Um abraço e obrigado por cá passarem,

José Carlos.

Expectativas pessoais para a época

No próximo sábado, começamos a competir oficialmente. Custa-me a escrever a palavra competir, porque nestas idades os miúdos querem é divertir-se dentro do campo mas também têm o seu objectivo pessoal de ganhar. Por isso, a palavra competir. Não tenciono falar das expectativas a nível colectivo, mas sim a nível pessoal enquanto treinador de futebol.

Tenho a noção que não teremos vida fácil no campeonato. As equipas têm qualidade, têm ambições e penso que a nossa tarefa não será fácil durante a época. Como treinador, a minha expectativa é diária e semanal, ou seja, procurarei sempre pensar na semana de treino como uma boa preparação para o jogo que teremos a cada fim de semana e quero e tenho que me preparar mentalmente para isso. Não adianta estarmos a planificar a longo prazo. O caminho faz-se caminhando, com humildade, com respeito pelo próximo, mas também com ambição e espírito de conquista. Nesta primeira época como treinador, ninguém mais do que eu quer ter sucesso e saberei assumir responsabilidades nos bons e maus momentos.

Quero continuar extremamente motivado como tenho estado porque treinar, ser treinador e tudo o que a isso é ligado, é algo que adoro fazer e esse prazer ninguém me tira. Por isso, vou procurar incutir sempre bons valores na equipa, dotá-los das motivações que precisam e a nível pessoal, aprender cada vez mais, evoluir como pessoa e como líder de um grupo. A única promessa que posso cumprir é que eu e os que comigo treinam diariamente, daremos sempre tudo em prol da camisola que vestimos, independentemente dos resultados que alcançarmos, sejam eles bons ou maus. A pré-época foi boa, mas já passou, de nada interessa senão soubermos dar as respostas que precisamos dar durante o ano.

Vamos treinar e prepararmos bem os miúdos esta semana, para que no próximo sábado possam dar o melhor de si e se divertirem com o nosso primeiro jogo. E claro, quanto a mim, procurar ficar calmo, disfrutar e passar boas sensações aos miúdos, tentando esquecer que este é o meu primeiro jogo oficial como treinador em que constará o meu nome na ficha de jogo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A anarquia chamada Real Madrid



Tenho acompanhado um pouco este início do Real Madrid, entretanto assombrado com duas derrotas, uma em Sevilha e ontem em casa frente ao Milan e creio que, apesar de todo o investimento na equipa, a mesma me parece cada vez mais anárquica. Ser treinador do Real Madrid é o sonho de qualquer um nesta profissão, mas acredito que chegando a esse patamar, deve ser das piores equipas para se treinar. A pressão interior e exterior é implacável e creio que Manuel Pellegrini, treinador que aprecio e a quem reconheço enormes virtudes, está a sentir no papel essa mesma pressão. Relembro quando o chileno entrou em Madrid que a sua concepção para os brancos seria colocar a equipa em 4x4x2 e trabalhar sempre e cada vez mais a bola no meio campo adversário. Neste momento, acho que Pellegrini ainda não chegou à resposta que pretendia. Tenho-o visto a apostar ora num 4x4x2 ora num 4x3x3, mas ainda sem o seu modelo definido. É normal que queira que o Real se sinta confortável com a bola no meio campo adversário, pois como será habitual, as equipas fechar-se-ão e apostarão no contra-ataque. O problema é mesmo esse. O Real é uma equipa partida. Não dá o espectáculo que a sua 'aficion' exige (tem vencido mas estas últimas duas derrotas soaram o alarme), mas acredito que não seja fácil quando as equipas adversárias se fecham bem e ainda por cima é uma equipa partida na sua transição defensiva. Ontem no pequeno resumo que vi da partida com o Milan, vi isso mesmo. E já o tinha visto em outras ocasiões. O Milan a partir do seu 1-2, aproveitou isso mesmo. Teve mérito, mas houve também muito demérito dos brancos que procuram ainda a sua identidade e convenhamos que colocar Kaká numa faixa e Granero noutra pelo menos na teoria, com estes a terem liberdade para deambular no centro do terreno, não me parece o mais acertado, mas eu não ando por lá e tenho uma ideia diferente. Salva-se o capitão Raul que vai apagando as birras de Benzema que ainda nada mostrou e já tanto exige. E sim, Cristiano faz mesmo falta nesta equipa. Mas também Robben o faria...

Volto a reafirmar a minha admiração por Manuel Pellegrini. Gosto da sua forma de estar no futebol, da concepção de jogo que tem e mostrou no Villarreal, mas a paciência em Madrid é nula e ou encontra respostas rápidas, ou não será fácil a sua convivência em Madrid.

Nota: Opinião muito pessoal de alguém que gosta de futebol e que até é apaixonado pela cultura catalã e pelo futebol dos culés. No entanto, isso não me impede de ver o que os outros fazem e desfazem...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Presença na Rádio Clube da Feira



Estive na noite de ontem num programa na Rádio Clube da Feira denominado "Palco dos Sonhos" em que fui um dos seleccionados e convidados para participar neste programa que abrange em grande parte o futebol de formação do concelho de Santa Maria da Feira e que ontem se centrou no meu clube, Lusitânia de Lourosa. Fui tal como outros treinadores e jogadores em representação do clube e penso que foi um serão bem passado. Deixamos as nossas impressões sobre o futebol de formação do Lusitânia de Lourosa, estivemos em momentos de conversa agradável e sem dúvida que foi um bom programa, onde todos tiveram a sua hipótese de intervir, falar e deixar as suas apreciações e ideias. Se quiserem ouvir o programa podem fazê-lo por aqui. Muito obrigado à Rádio Clube da Feira pelo convite que nos proporcionou, sendo sem dúvida uma rádio que acompanha bem de perto todo o futebol da região e isso é de louvar.

http://noticias.ptexl.com/2009/10/21/nao-ha-clube-como-o-lourosa-na-regiao-e-unico-em-paixao/

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Exercício - "Tabuleiro" - Relação com Apoios




Bom, não liguem muito à qualidade dos desenhos, foi feito à pouco, centrem-se no exercício em si. Eu coloquei em meio campo, mas bem estruturado, pode muito bem ser feito em quarto de campo, acho que chega perfeitamente.

O exercício centra-se dentro dos quadrados. Cada jogador tem um quadrado seu de onde não pode sair, apenas podendo desmarcar-se lá dentro quando a sua equipa tem a bola, ou cortar linha de passe quando não a tem. Os jogadores de azul fora do raio de acção servem de apoio. Pode ser um ou dois apoios, neste caso coloquei dois. A prioridade do jogador que tem a bola é jogar sempre a bola na frente ou lateralmente nos seus colegas de equipa, senão há solução não hesitar em jogar no apoio (o portador da bola deve ter sempre apoio por perto). Cada jogador tem apenas 5 segundos para se livrar da bola e passar noutro sector. Neste exercício exige-se rapidez de processos e a criação de linhas de passe dos jogadores que em fase ofensiva não têm a bola e redução de linhas de passe dos jogadores que estão em fase defensiva. Reparem sempre que cada jogador que tem a bola, tem sempre duas hipóteses de passe.

Numa primeira fase pode colocar-se como jogo livre, depois ganha a equipa que realizar maior número de x passes ou que conseguir trocar a bola entre si de um apoio ao outro sem que a outra equipa consiga bloquear as suas acções. Tenho dúvidas que este exercício encaixe bem nos escalões de formação, mas com tempo, vou experimentar para perceber.

O que acham?

O Treino - Formas de o abordar

O treino “é um processo pedagógico que visa desenvolver as capacidades técnicas, tácticas, físicas e psicológicas dos praticantes no quadro específico das situações competitivas através da prática sistemática e planificada dos exercícios orientado por princípios e regras devidamente fundamentadas no conhecimento científico. Visa o aumento dos limites da adaptação do indivíduo com o objectivo de atingir o máximo rendimento como uma maior economia e resistência à fadiga de acordo com o resultado previsto”  (Castelo e col. 1996). 

No meu entender, treino é como um jogo. Encaro uma sessão de treino como se de um jogo  oficial se trata-se, com a mesma importância, com a mesma intensidade, com a mesma aprendizagem, com a mesma concentração e forma de o abordar.  Não quer dizer que isso aconteça no escalão onde treino, pelas razões evidentes, mas é uma filosofia de grande parte dos treinadores. Costuma-se dizer na gíria que devemos treinar como jogamos e estou plenamente de acordo. Um treino bem organizado, sintetizado e planeado para aquilo que queremos colocar em prática durante o jogo, é extremamente essencial. Depois, é a nossa comunicação, a nossa motivação e a importância que damos ao treino que faz todo o resto. Um atleta que venha predisposto para treinar, para aprender, para se integrar dentro dos príncípios e do espírito da equipa, é um atleta do agrado do treinador. Assumo que cada vez mais a tarefa do treinador não é fácil neste sentido. Se em tempos passados, o atleta vinha treinar, tomava o seu banho e ia embora sem perceber nem se interessar pelo sentido do treino que efectuou, hoje em dia o treinador tem que mostrar a um atleta cada vez mais interessado que aquele é o caminho, fazendo-o crer nas suas ideias e estando por dentro do espírito que o treinador coloca dentro do processo do treino e daquilo que são as suas ideias para a equipa. Isso acontece em todo o lado. Provavelmente nem tanto nos escalões de formação, devido sobretudo à idade das crianças e ao facto destas se quererem divertir com uma bola nos pés, mas a partir de iniciados para cima, estou em crer que isso acontece.


Por isso entendo que o sucesso ou não de uma sessão de treino advém sempre da motivação, do interesse e do espírito que os atletas possam trazer para o treino. A aprendizagem é fundamental neste capítulo, mas a aceitação de que devemos aprender cada vez mais, ainda maior. Um treinador pode ser muito bom, pode organizar excelentes sessões de treino, mas senão tiver os atletas imbuídos no espírito do treino, da concentração e da inteligência, de nada vale.

domingo, 18 de outubro de 2009

O papel e comportamento dos Pais

Como todos sabemos, o papel dos Pais no futebol de formação é assumido como praticamente decisivo em muitos parâmetros do futebol mais jovem. Hoje em dia quem é treinador de futebol, sobretudo o de formação, tem a sombra dos Pais para a crítica do seu trabalho e para a observação total e detalhada do que estamos a fazer, seja ela positiva ou negativa. Escrevo este post, porque acabei de assistir a um encontro de futebol no escalão de iniciados e onde assisti a comportamentos simplesmente vergonhosos e inaceitáveis por parte de alguns Pais. Desde achincalhar o treinador, desde criticar abertamente miúdos que apesar de algumas limitações técnicas, estão lá dentro a jogar, a terem o prazer do jogo, a divertirem-se, foi um enchorrilho de más atitudes que a mim me entristeceram e porque não dizê-lo, enojaram. É neste sentido que entendo que o papel e comportamento dos Pais, é absolutamente decisivo na progressão e na evolução do atleta, mas sobretudo do ser humano. Só ando no futebol à dois anos, uma época como director e agora na minha estreia como treinador, e tenho assistido durante este curto espaço a comportamentos que não dignificam o futebol e sobretudo as pessoas que o fazem. Os Pais hoje em dia devem estar embuídos do espírito constructivo, da pedagogia e da ajuda permanente, em casa devem ser uma extensão completa da filosofia do clube onde estão inseridos, incentivando os miúdos à pratica do futebol, do fair play, da aplicação total nos treinos, do respeito ao treinador, etc, etc. Em muitos casos isso não acontece. Temos que saber reconhecer que a profissão de treinador de bancada existirá sempre e todos passaremos por ela, mas há limites. Considero mesmo que em muitos casos, o Pai de um qualquer atleta, é um possível adversário de um treinador. Ou são claros, correctos e coerentes e respeitam quem sabe e quem lidera, ou os efeitos contrários poderão ser penosos, no treinador e no atleta. No meu caso pessoal, pelo meu curto tempo de trabalho, ainda não notei muito isso, mas sei que tenho que estar preparado para essa convivência e para essa pressão exterior que sempre existirá... para o bem e para o mal.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Plano de Treinos - Outubro (Actualizado)





Está actualizado o plano de treinos deste mês de Outubro. Como era minha intenção, teremos mais dois jogos-treino antes de se iniciar a competição oficial. É hora de começarmos a dar respostas ainda mais positivas dentro de campo, estarmos cada vez mais dispostos a melhorar porque segue-nos uma campanha que não será fácil e onde teremos que estar no nosso máximo para dar sempre uma boa imagem. Daqui a duas semanas, estou certo que estaremos bem preparados para a nossa primeira jornada que o sorteio definiu ser em casa frente ao Esmoriz. Amanhã teremos mais um encontro amigável, desta vez em Argoncilhe, onde terei oportunidade de testar ainda novas experiências e procurar boas sensações e respostas pessoais por parte da equipa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sorteio - Escolas A

Fiquei a conhecer ontem as equipas que vão competir comigo no Campeonato Distrital de Escolas A 2009/2010 e posso dizer que fiquei um pouco com o sabor amargo na boca. Creio que não tivemos a sorte do nosso lado com as equipas que nos saíram para esta fase, mas penso que será uma boa forma de motivar os miúdos e mesmo a mim próprio, que terei trabalho árduo daqui para a frente. Sou sincero, a nível pessoal, tenciono fazer a melhor classificação possível para a equipa. Reconheço o valor dos adversários que teremos pela frente, mas que essa casualidade não sirva para afastar ninguém dos seus compromissos. Daremos a cara do príncipio ao fim de cada jogo, sempre com mentalidade e ambição de vencer. Disso podem ter toda a certeza.

Ficam os nossos adversários: Feirense, União de Lamas, Fiães, Paramos, Esmoriz, Paços de Brandão e Rio Meão.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Carlos Queiroz e a missão "quase" cumprida



Sou e serei um eterno defensor daqueles que pensam o jogo como um espectáculo, daqueles que sabem muito de futebol e aliam o seu conhecimento ao treino e ao jogo em si.
Esqueçamos Carlos Queiroz enquanto líder e comunicador nato, centremo-nos na sua filosofia de jogo e da qualidade que imprime aos seus treinos. Queiroz é um predestinado em relação ao treino. É alguém que tira do treino, o máximo proveito do que ele pode oferecer. Sou sincero, gosto da maneira como Portugal joga. É verdade que a qualidade exibicional por vezes anda distante do desejado, mas a missão do seleccionador sempre foi complicada após a sua entrada no cargo. Acho mesmo que Queiroz está à espera de poder conseguir qualificar Portugal para proceder aquilo que ele é melhor: reformulação da estrutura técnica da selecção desde a sua formação à equipa principal. Voltando aos príncipios de jogo da nossa selecção, é por demais evidente a qualidade técnica que esta equipa possui, a forma como joga de pé para pé e procura jogar bem e sempre no meio campo adversário e Queiroz aproveitou uma coisa boa: no meio de termos tantos extremos mas a produtividade ser nula no nosso centro do ataque, juntou mais as linhas e começou a aproximar o 4x4x2 losango à nossa equipa, sendo um sistema alternativo e muitas vezes preferencial ao badalado 4x3x3. Não sou defensor de Queiroz, mas sou defensor daqueles que percebem o jogo, percebem o treino e dão a qualidade necessária a ambas. Queiroz é um desses treinadores. Tem como maior pecha na minha opinião, o facto de não ser uma figura "romântica" vá lá, tendo uma imagem mais fria, mais fechada e dando a ideia de ter poucas capacidades ao nível da comunicação e liderança. É um feeling meu, porque o resto sabemos que quem sabe, sabe mesmo. Aliás, um dia até gostaria de assistir a um treino de Carlos Queiroz. Quem sabe...

André Villas Boas



Chegou a oportunidade por que tanto ansiava. É uma aposta de alto risco para este jovem treinador, até porque a matéria prima em Coimbra não lhe garante o sucesso que a sua sabedoria e experiência exige ter. Sou um claro defensor desta nova geração de treinadores jovens, que trazem um ar mais fresco e mais evoluído ao futebol e certamente que acompanharei a carreira de André, que me parece um treinador jovem com todas as capacidades para singrar no futebol. Pelo menos os ensinamentos, a experiência com o melhor dos melhores e o seu estudo, provam isso mesmo. Espero que tenha a melhor sorte nesta sua primeira etapa como treinador de futebol. A nível de qualidade de treino, estou certo que trará grandes coisas ao nosso meio. É esperar para ver. Que a sorte o acompanhe, como não acompanhou Carlos Azenha que, é verdade que se diga isto, por ter tido uma experiência ingrata em Setúbal e sem condições, não é um mau treinador como se quis e quer fazer passar. Às vezes as pessoas têm sede da crítica fácil, porque não se socorrem das circunstâncias que os treinadores vivem.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Primeiro balanço

Estou muito satisfeito com este meu início de carreira, se é que lhe podemos ou um dia poderemos chamar assim. Acredito que a cada dia vou-me soltando cada vez mais, vou bebendo do conhecimento que retiro do dia a dia, da observação que gosto muito de fazer a outras sessões de treino, dos conselhos de quem sabe e anda nisto à mais tempo e mesmo dos meus próprios feedbacks. A cada dia, acredito que vou evoluíndo e sendo um treinador melhor. Acredito muito nas minhas ideias e na minha capacidade de aprender e evoluir cada vez mais.

As coisas têm ido por um caminho altamente satisfatório e só me posso dar por satisfeito e continuar uma caminhada que ainda só agora começou mas que me está a dar muito gosto fazê-la. Acreditem que a nível de liderança e de gestão de um grupo, não tenho uma equipa fácil, mas é normal visto serem crianças ainda, mas creio que tenho feito passar a mensagem daquilo que pretendo e as coisas têm sido cumpridas com rigor e exigência. Também sei que estou num clube onde todos os dias somos avaliados e onde existe alguma pressão inerente ao nosso cargo. É o dia a dia do treinador e temos que estar habituados a isto.

Vamos continuar e seguramente vamos melhorar cada vez mais. Confiança Sempre!

sábado, 10 de outubro de 2009

Treino com crianças

Convidaram-me para este sábado de manhã ir treinar miúdos com 5, 6 e 7 anos na companhia de outro treinador e só posso dizer que foi uma experiência engraçada e enriquecedora. Dou muito valor a quem é treinador de pré-escolas, porque não é fácil e é preciso reunir uma série de características humanas muito fortes para se poder ser treinador nestes escalões. Posso dizer que gostei, foi engraçado estarmos a conviver e a oferecer o prazer de jogar a estas crianças e a ensinarmos o que sabemos para que elas pudessem ter umas boas noções, algumas delas, irmãos de jogadores da minha equipa, o que ainda mais engraçado foi. Enfim, foi um início de manhã muito bem passado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O treinador e as malas sempre prontas

Ser treinador é das profissões mais complicadas e com maior pressão que pode existir, mas costumo dizer, agora que começou a minha curta carreira, que melhor não há. Quem gosta de ser treinador, sabe que tem um papel importante nas mais variadas vertentes. Tenho acompanhado e interesso-me pelo trabalho que os treinadores do nosso principal campeonato têm efectuado e a verdade é que já tivemos algumas chicotadas psicológicas. E se num caso de uns não há a paciência que nós treinadores gostaríamos que existisse, noutros casos há até demais, com visíveis esgotamentos. De um lado da barricada, Carlos Azenha, Nelo Vingada, Ulisses Morais, Carlos Carvalhal, Rogério Gonçalves e do outro Paulo Bento. No caso do primeiro grupo, houve clara falta de paciência, de crença e até de confiança no trabalho desempenhado por estes treinadores. Convenhamos, quando se contrata um treinador, é preciso que se acredite nele, nas suas capacidades e no seu método, mas todo o treinador necessita de tempo para colocar as suas ideias em prática e o maior consolidadas possíveis. Estes homens nem três meses tiveram, excepto o caso de Carvalhal. Paulo Bento, esse, está sentado à quatro anos numa poltrona que em Alvalade lhe ergueram: Paulo Bento Futebol Clube. Ou porque é "Forever", ou porque é com "tranquilidade", hoje assumo postura crítica para com o treinador daquele que é o meu clube. Paulo Bento há muito que deveria ter saído do Sporting pelo seu próprio pé. Não concordo com as desculpas do orçamento e da falta de qualidade do plantel, senão pergunto: jogadores como Izmailov, Vukcevic, João Moutinho, Liedson, Matias Fernandez, Miguel Veloso e outros não conseguem ser mais do que são? É óbvio que sim. Por isso a comparação entre treinadores que nem três meses tiveram para preparar as suas equipas e um que está à quatro anos no mesmo clube e o futebol da equipa apresenta-se como miserável e sonolento. Na minha perspectiva, Paulo Bento está a ter falta de personalidade e mostra-se agarrado à oportunidade. Prejudicou-se ele, que se expôs demasiado, os jogadores estão evidentemente com a imagem desgastada em relação ao seu treinador, são tudo relações que se estão a deteriorar e a prejudicar um clube. Mas, se em relação a muitos treinadores, a mala deve estar sempre pronta, outros há que assentaram arraiais e não há maneira de saírem de lá. Triste futebol o que temos.