Novo ciclo nos azuis e brancos, nova e jovem estrutura técnica, novo estilo de jogo, diferente metodologia de treino. André Villas Boas assume-se como o treinador mais jovem a orientar a equipa azul e branca, numa clara mudança de paradigma em relação ao que tem sido os últimos anos.
A esperança é elevada dos adeptos do futebol para perceber se efectivamente Villas Boas é alguém que segue o trilho do seu mestre José Mourinho. Na cabeça dos adeptos azuis e brancos está e estará sempre este estigma, cujo o jovem treinador já recusou liminarmente. Parece-me a mim, que muitos anos ao lado do melhor treinador do mundo, com vivências de várias culturas de futebol e uma metodologia de treino muito admirada neste mundo do futebol, denominada de Periodização Táctica, são cabeças de cartaz da sua qualidade.
Nestes primeiros tempos, tem sido fiel às suas convicções. Gosta do 1-4-3-3 e se o utilizou na Académica, fá-lo no FC Porto, onde diga-se, tem jogadores para exprimir a sua qualidade. Adepto da posse, da velocidade e qualidade da circulação de bola, mas também de uma ideia de jogo atacante, agressiva, mandona, tem procurado incutir esse estilo na sua equipa. A tarefa não parece fácil sobretudo se atendermos aos príncipios e rotinas que esta equipa mantinha de à quatro anos atrás, com cultura vencedora, fazendo base nas transições rápidas e com simplicidade de processos no seu futebol com resultados à vista.
Este Porto é pois, diferente. Quer ter a bola, define zonas de pressão, usa e abusa da circulação com o objectivo de desposicionar o adversário, mas ao mesmo tempo evitando desgastar-se propositadamente. É uma proposta de futebol mais paciente e que quer ser agressivo, eficaz e espectacular. Villas Boas é adepto da pressão alta e da sua linha defensiva subida, mas confesso que daquilo que tenho visto, não me parece muito enfocado ainda nesse aspecto, ou então não está bem sistematizado.
A entrada de João Moutinho assume-se crucial para aquilo que Villas Boas quer propõr. Com a provável saída de Meireles, o trio de meio campo dificilmente não andará muito longe de Fernando-Moutinho-Ruben Micael, com estes dois últimos a serem donos da bola em zonas mais interiores do terreno. Hulk parece-me (e bem) que será novamente potenciado sobre o corredor direito, com o lateral desse mesmo corredor a assegurar a profundidade que me parece que o brasileiro pouco dará, pois usará as suas diagonais o seu poder de fogo para poder aparecer e desequilibrar.
Penso ainda que nesta proposta de jogo, requer-se a utilização de centrais com capacidade para sair a jogar e que tenham qualidade de passe curto ou mais directo. Neste sentido, tirando Bruno Alves, não descortino muitas capacidades aos outros centrais para este tipo de missão, embora Rolando tenha como sempre, cumprido.
Veremos pois, como irá evoluir a equipa azul e branca. De jogo para jogo parece querer crescer, estar mais perto de assimilar os conceitos e as convicções do seu treinador, mas terá já o seu primeiro teste à sua fase de construção e crescimento no próximo dia 7 de Agosto, num embate que será particularmente interessante de seguir frente ao campeão Benfica, mas para já os primeiros sinais têm sido satisfatórios. Veremos como será daqui em diante.