sábado, 11 de junho de 2011

Mensagem forte

«Vamos jogar um futebol ofensivo, espectacular, com intenção de atrair pessoas para o estádio para que se possam divertir»

Luis Enrique, novo treinador da AS Roma, nas suas primeiras palavras enquanto novo timoneiro dos romanos. Gosto da ambição, da mensagem forte, do chamamento aos seus adeptos, do pensar de um futebol positivo. Itália é um país com uma cultura de jogo mais fria, calculista, táctica, pelo que estas palavras e este desejo, parecem querer romper um pouco com a cultura italiana. Se Luís Enrique conseguir, será interessante. A acompanhar com atenção.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Juízos (fracos) de valor


Este 'post' serve um pouco de reacção aos juízos de valor que as pessoas sem conhecimento da realidade do mundo do 'treinador', fazem à contratação de determinados treinadores para os seus clubes. Costumo dar algum ênfase e alguma importância à vida diária de clubes pelos quais sinto algum apreço e a Académica, surge como um deles e achei extremamente prejorativo a forma como alguns dos seus simpatizantes, se dirigiram à contratação do seu novo treinador, na imagem, Prof. José Guilherme. Acho engraçado que hoje em dia se julguem os treinadores por onde eles treinaram, por onde eles passaram, que idade têem, etc, etc, No meu caso, avalio as escolhas com o facto de se ter ou não competência, porque resultados, hoje em dia poucos podem prometer, agora competência ou se tem, ou não. A maioria do adepto comum, julga um treinador pelos resultados, nem tanto por aquilo que faz, pelas condições de trabalho (se tem ou não) ou se tem uma boa metodologia de treino. Não! O que interessa é saber se tem resultados pelas anteriores passagens, senão tiver, é riscado, é fraco. Exemplo disso mesmo, foi a contratação a época passada pela Académica, de André Villas Boas, com os resultados que se conhecem hoje em dia, pela forma como conseguiu colocar a Académica a jogar, estando hoje já no patamar em que está e com uma margem de crescimento fortíssima, para alguém ainda tão jovem. Não conheço pessoalmente o Prof. José Guilherme, apesar de gostar, mas tenho conhecimento das suas ideias, sei que é um mestre e dos melhores na área do treino, e é alguém com uma forte forte capacidade. Não estou aqui em sua defesa, mas acho que às vezes convém à maioria do adepto comum, ser mais informado, ter mais consciência daquilo que se diz. Como disse, ninguém pode ou deve prometer resultados, agora, competência ou se tem, ou não. O tempo, encarregar-se-á de dar razão a quem sabe.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Organização... ou falta dela?

Começo por esclarecer, que nada tenho contra Paulo Sérgio, como homem ou treinador, mas tenho que referir que a situação em que o Sporting a nível futebolístico se encontra, em muito se deve ao seu treinador (atenção, a quota maior da culpa, não lhe deve ser, ainda assim, imputada). Todos temos conhecimento das limitações do Sporting enquanto clube e enquanto equipa. Não me parece razoável, usar-se essa desculpa para encobrir outros erros, que é isso que tem acontecido. Em termos técnico-tácticos, a equipa vive numa sombra. Quer-me parecer, que já nem os jogadores sabem o que têm treinado, pelo menos é isso que aparenta quando vemos um jogo do Sporting. Paulo Sérgio, ao querer construir a sua organização, não pode nunca chegar a Dezembro sem a mesma assimilada, com muitas dúvidas, muitas alterações de sistema, que só prejudicam as próprias rotinas da equipa. O ser humano é feito de hábitos, não pode estar constantemente em mutação e é isso que acontece no Sporting, porque se analisarmos, o Sporting tem jogadores e equipa para fazer melhor do que tem feito, mas observando-se um jogo nota-se que a equipa não tem uma organização sustentada, um trabalho de base que possa ser analisado. Nada. E isto choca-me, sobretudo ver isto numa equipa grande, com ambições notórias. Uma equipa que num dia joga em 1.4.3.3, no outro em 1.4.4.2, no outro em 1.4.2.3.1 e já andou pelo 1.4.4.2 losango, não se pode considerar uma equipa, é um conjunto de bons rapazes sem uma ideia definida. E isto meus caros, é responsabilidade do treinador. Porque um treinador que, apesar de me parece um bom líder, demonstra pouca segurança nas suas ideias, passa uma má imagem aos seus comandados e isso repercute-se no rendimento da equipa. Disse Paulo Sérgio na sua apresentação qualquer coisa como "Os sistemas podem mudar, os príncipios de jogo é que não mudam, são sempre os mesmos". Serão Paulo Sérgio? Têm sido?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O pouco tempo para treinar e a escolha do que se deve treinar

É assunto interessante de ser debatido. Um dos maiores problemas do treinador, é ele achar que tem sempre pouco tempo ou tempo insuficiente para preparar a sua equipa. Fica sempre qualquer coisa na nossa mente que nos possa ter escapado, daí o critério do treinador na preparação das suas unidades de treino em focar-se no que é mais importante de se treinar, na escolha criteriosa do que se deve treinar. Ouvi isto da boca de Rui Faria numa qualquer entrevista e documentário e concordei de imediato. Ora, se isto é um pouco assim na área do Alto Rendimento e seria sempre, independentemente de tudo, o que dizer na formação quando se treina apenas três vezes por semana? (falando eu no meu caso pessoal). Aqui sim, é extremamente importante reflectir-se bem sobre o que se deve fazer, ou o que é mais importante preparar durante a semana de treino. Não sei se me estou a fazer entender, ou estará demasiado confuso. O meu caso pessoal é sintomático: treino uma equipa de iniciados, três vezes por semana e tenho sempre estas dores de cabeça comigo, porque sinto que há sempre algo que fica por preparar, por treinar, mas devido à falta de tempo, tenho que ser criterioso e do meu critério, depende sempre o sucesso ou insucesso da organização da minha equipa, mas este é de facto, um dos problemas que encontro hoje em dia para com os treinadores. Seja em Alto Rendimento, seja a um nível mais amador, o treinador terá sempre pouco tempo para ter a sua equipa a 'top', como a pretende. Daí ter que ser organizado, ser criterioso e capaz de resolver os problemas que lhe aparecem.

domingo, 5 de setembro de 2010

O duelo 2010/2011



A nível da classe de treinadores, será o duelo mais apetecível desta época. Dois treinadores que a maioria aprecia e admira, mas com estilos distintos, personalidades distintas, metodologias de treino distintas, mas creio, a mesma sede e ambição de vencer. De um lado Pep Guardiola, homem que chegou viu e venceu desde que se sentou no banco do Barcelona. Figura afável, simpática e com palavras sempre optimistas, é um líder nato e isso viu-se nas dispensas de Eto'o e Ibrahimovic. Do outro José Mourinho, provavelmente o melhor treinador do mundo. Figura incontornável no futebol, pela sua maneira de estar, pela sua sede de vitórias, pelo seu protagonismo, pela forma como vence, vence e vence, sempre por onde passa. É um líder, um vencedor nato. Por isto e por outras coisas, o duelo em Espanha será muito mais que um Barcelona x Real Madrid, mas também um Pep Guardiola x José Mourinho. Quem levará a melhor?

sábado, 4 de setembro de 2010

A construção de uma organização: Iniciados 2010/2011

Tem sido engraçado este início de uma nova fase enquanto treinador, agora no futebol dito mais realista, que todos vemos e gostamos. Um novo clube, uma nova idade, mentalidades distintas, mas uma vontade enorme de fazer as coisas bem. Convenhamos que não é fácil. Os miúdos abandonam o futebol 7, para o futebol 11, com a dimensão do campo bem maior, com outro tipo de abordagem ao jogo, com novos posicionamentos, uma organização diferente, o que torna o trabalho do treinador, neste caso eu, em início de trabalhos, com uma dose de dificuldade elevada.

Como referi acima, tem sido engraçado e o desafio em si, é aliciante. Tornar uma equipa organizada, competitiva, agressiva e intensa, é o meu principal objectivo. Haverá sempre uma luta um pouco desigual em termos de competição em relação à diferenciação de idades, mas quero combater isso com as armas que possuímos e que creio, me têem dado boas indicações. Levo duas semanas completas de treino, os atletas já sabem como pretendemos jogar e quais serão por assim dizer, os nossos grandes princípios, mas agora falta o mais importante: solidificá-los. Como referi acima, tenho uma ideia muito própria do estilo de jogo que pretendo implementar, e por aquilo que tenho visto, creio que temos condições para impôr essa mesma identidade. O caminho faz-se caminhando e é preciso que haja paciência e se acredite, de maneira realista e nunca embandeirada, no trabalho que se está a realizar.

Eu como treinador, tenho que acreditar em mim próprio e no que posso desenvolver. Se algum dia acontecer o contrário, pois não posso ser treinador de futebol.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um passo de gigante e um desafio ainda maior

Vida nova, clube novo e um passo de gigante na minha ainda curta carreira (se é que se pode chamar assim). Depois de um primeiro ano como treinador de escolas, eis que surge uma proposta para treinar uma equipa de iniciados. Foi o terminar de um misto de ansiedade que andava na minha cabeça em torno do meu futuro desportivo enquanto treinador, mas felizmente ficou tudo resolvido e posso encarar esta nova etapa com maior tranquilidade.

Pessoalmente, extremamente grato pelo convite endereçado e por acreditarem que posso ser capaz de fazer um bom trabalho à frente do escalão. Evidentemente que as vivências são diferentes em absoluto. Uma nova idade, uma entrada no futebol de 11, uma nova liderança e uma nova voz de comando e no fundo, uma boa competência espera-se. Estou extremamente expectante. Já começei a preparar a minha própria organização, a analisar possíveis unidades de treino, etc, etc.

Evidentemente que agora o trabalho é maior, a organização é diferente e porque não dizê-lo, a motivação bem maior. Espero que tudo corra bem. Terei motivação e dedicação máximas a esta nova causa, uma causa que me enche de enorme satisfação e crença. Sei também que a minha exposição será maior e terei uma pressão bem maior aquela que sentia, mas sinto-me confortável com isso. Se assim não fosse, não teria piada.

Por fim, quero agradecer publicamente ao meu antigo clube e às pessoas que sempre estiveram do meu lado, por tudo o que me proporcionaram e me deram enquanto os representei. Foi um orgulho enorme e estou-lhes imenso grato. Desejo que possam resolver todas as suas questões pendentes e que possam seguir no rumo que merecem.

Por ora, dia 21 começa uma nova era. Com força, com vontade, e sobretudo com uma dedicação e um gosto maior. Que a sorte me acompanhe.

domingo, 1 de agosto de 2010

Imagem da semana


A emoção da despedida de Raúl do Real Madrid. Mais do que um símbolo madridista, despede-se um senhor do futebol da sua casa de sempre. Protótipo do jogador profissional, com uma conduta extremamente correcta ao longo da sua carreira (mesmo na sua fase descendente no Real Madrid, nunca se ouviu uma palavra depreciativa da sua boca), despediu-se de uma casa que será eternamente sua e onde nos maravilhou, a nós adeptos, com momentos de alto nível e de um futebol bonito e elegante cujo o seu nome fará sempre parte. Será certamente feliz na sua nova aventura alemã, onde terá oportunidade de continuar a mostrar que quem sabe, nunca esquece.

sábado, 31 de julho de 2010

A moda do "eu é que sei"

Aqui.

Sinceramente custa-me a compreender este tipo de declarações. Quer dizer, não me surpreende, mas custa-me a ler e ouvir. Hoje em dia a classe de treinadores de futebol profissional é muito pouco unida. Cada um opina sobre o quer que seja em relação ao trabalho de outros colegas, normalmente quando as coisas correm menos bem. Não é incorrecto se se souber o que comentar, o que é menos correcto é colocar-se no papel do seleccionador neste caso, e dizer o que se faria. Mas isto por fora, sempre por fora. Lá dentro, vivendo as situações se calhar as coisas não são assim tão lineares. Que se refira em abono da verdade que não estou a defender Carlos Queiroz, mas acho que nesta fase tudo bate no ceguinho como forma de o empurrarem lá para fora. É desprestigiante na minha opinião e não é assim que se deveriam resolver as situações, mas... estamos em Portugal.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um olhar sobre a pré-época - FC Porto 2010/2011


Novo ciclo nos azuis e brancos, nova e jovem estrutura técnica, novo estilo de jogo, diferente metodologia de treino. André Villas Boas assume-se como o treinador mais jovem a orientar a equipa azul e branca, numa clara mudança de paradigma em relação ao que tem sido os últimos anos.

A esperança é elevada dos adeptos do futebol para perceber se efectivamente Villas Boas é alguém que segue o trilho do seu mestre José Mourinho. Na cabeça dos adeptos azuis e brancos está e estará sempre este estigma, cujo o jovem treinador já recusou liminarmente. Parece-me a mim, que muitos anos ao lado do melhor treinador do mundo, com vivências de várias culturas de futebol e uma metodologia de treino muito admirada neste mundo do futebol, denominada de Periodização Táctica, são cabeças de cartaz da sua qualidade.

Nestes primeiros tempos, tem sido fiel às suas convicções. Gosta do 1-4-3-3 e se o utilizou na Académica, fá-lo no FC Porto, onde diga-se, tem jogadores para exprimir a sua qualidade. Adepto da posse, da velocidade e qualidade da circulação de bola, mas também de uma ideia de jogo atacante, agressiva, mandona, tem procurado incutir esse estilo na sua equipa. A tarefa não parece fácil sobretudo se atendermos aos príncipios e rotinas que esta equipa mantinha de à quatro anos atrás, com cultura vencedora, fazendo base nas transições rápidas e com simplicidade de processos no seu futebol com resultados à vista.

Este Porto é pois, diferente. Quer ter a bola, define zonas de pressão, usa e abusa da circulação com o objectivo de desposicionar o adversário, mas ao mesmo tempo evitando desgastar-se propositadamente. É uma proposta de futebol mais paciente e que quer ser agressivo, eficaz e espectacular. Villas Boas é adepto da pressão alta e da sua linha defensiva subida, mas confesso que daquilo que tenho visto, não me parece muito enfocado ainda nesse aspecto, ou então não está bem sistematizado.

A entrada de João Moutinho assume-se crucial para aquilo que Villas Boas quer propõr. Com a provável saída de Meireles, o trio de meio campo dificilmente não andará muito longe de Fernando-Moutinho-Ruben Micael, com estes dois últimos a serem donos da bola em zonas mais interiores do terreno. Hulk parece-me (e bem) que será novamente potenciado sobre o corredor direito, com o lateral desse mesmo corredor a assegurar a profundidade que me parece que o brasileiro pouco dará, pois usará as suas diagonais o seu poder de fogo para poder aparecer e desequilibrar.

Penso ainda que nesta proposta de jogo, requer-se a utilização de centrais com capacidade para sair a jogar e que tenham qualidade de passe curto ou mais directo. Neste sentido, tirando Bruno Alves, não descortino muitas capacidades aos outros centrais para este tipo de missão, embora Rolando tenha como sempre, cumprido.

Veremos pois, como irá evoluir a equipa azul e branca. De jogo para jogo parece querer crescer, estar mais perto de assimilar os conceitos e as convicções do seu treinador, mas terá já o seu primeiro teste à sua fase de construção e crescimento no próximo dia 7 de Agosto, num embate que será particularmente interessante de seguir frente ao campeão Benfica, mas para já os primeiros sinais têm sido satisfatórios. Veremos como será daqui em diante.

sábado, 24 de julho de 2010

Imagem da semana (nova rúbrica)


Campeão Espanhol, FC Barcelona regressou ao trabalho no início desta semana e Pep Guardiola, como sempre, bastante interventivo para com os seus jogadores que o ouvem atentamente. Prevê-se uma temporada bastante interessante em Espanha.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Futebol de Formação: Técnica Individual x Vivenciar o jogo?

Uma das grandes batalhas de quem anda no futebol de formação, no seu ensino e no treino. O mais importante. O aprimorar, o ensinar ou o praticar a técnica individual ou tornar o jovem mais capaz através do conhecimento do jogo em treino aprimorando aspectos mais gerais como posicionamentos em campo, etc, etc. Na minha opinião, as duas. 

Vivemos hoje em dia em que muitas pessoas são da opinião que os treinadores de futebol de formação devem dar primazia ao ensino da técnica individual na sua metodologia de treino. É uma opinião. É importante termos bons conhecimentos técnicos para depois sabermos passar o nosso mesmo conhecimento aos nossos comandados. Mas questiono: não será tão mais importante no processo de treino, a enraização de determinados comportamentos que se podem confrontar no jogo? Não é preparar o nosso atleta para a tomada de decisão que se lhe pode surgir? Não é importante dotarmos o nosso atleta do conhecimento que deve ter em certos momentos do jogo? Obviamente, depende da idade que treinamos porque em crianças com 7/8 anos não poderemos usar e abusar deste aspecto, mas creio que, em competição, é importante sabermos que os miúdos aprendem tanto ou talvez mais em treino em situações de jogo que lhes possam surgir, do que exercícios isolados só no treino da técnica individual.

Pessoalmente, respeitando todas as opiniões, não concordo com isso. O treino deve ser o mais aproximado possível do jogo, tentando condicionar o mesmo com exercícios que possam melhorar quer individual quer colectivamente o nosso rendimento. Que me adianta treinar passes frente a frente, ou contornar cones em condução de bola, quando isso não acontece no jogo? Nada. É um assunto interessante a debater. Se possível gostava de escutar as vossas opiniões.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Rui Faria


O protótipo da competência em modo discreto. Muito do sucesso de José Mourinho, passa também e muito pela competência, sabedoria e talento deste homem. Rui Faria, alguém cuja popularidade passa despercebida mas não aos olhos de quem analisa e tenta perceber o treino. Muitos dizem que José Mourinho tem muito sucesso à custa do seu colaborador. Verdade. Um grande treinador deve-se rodear também de pessoas competentes e Mourinho mais do que ninguém o sabe. Dos vários livros que tenho lido, gosto de ler Rui Faria, porque é alguém que, não obstante a linguagem um pouco mais complexa sobre o treino, simplifica sempre a sua mensagem naquilo que pretende passar. Acredito que mais cedo ou mais tarde esta dupla se irá separar e Rui Faria seguirá o caminho da independência, o seu próprio caminho (consta-se até que era a primeira opção do FCPorto para o seu comando técnico, tendo preferido manter-se na estrutura) ao qual acredito será de sucesso. Poucas entrevistas se lhe conhecem, poucas aparições em público, ou seja, um limiar de descrição que é de louvar. Recorde-se que Rui Faria começou muito novo, com 25 anos já começava a estar no top. Hoje, tem passagens entre outros por Chelsea, Inter e Real Madrid. Dizem que de mão dada com o chefe. Verdade. Mas o chefe também não saberia "viver" sem ele. E não se caia no erro de lhe chamarem constantemente preparador físico. Constava no site do Inter na sua identificação, consta agora no do Real Madrid. Nada mais incorrecto. Na metodologia de José Mourinho, não há o termo preparador físico. É a Periodização Táctica no seu melhor que agora chega a Madrid.

Curso II Nível UEFA-B

Terminei com aproveitamento o curso de II nível de Treinador de Futebol, no passado mês de Junho. Acho importante para a minha evolução como treinador recolher o máximo de ensinamentos e no fundo, poder formar-me cada vez mais para ter outro tipo de oportunidades no futebol. Sou daquelas pessoas que nunca se cansa de aprender, e às vezes até numa simples conversa se aprende bastante ou se retiram coisas novas. Futebol é uma das minhas paixões e o seu estudo, idem. Por isso, creio que nunca me vou cansar de o discutir, porque apesar de ser um desporto global, há detalhe atrás de detalhe prestes a ser descoberto.

Voltando ao tema, gostei destes meses de curso. Bastante intensos, com algum prejuízo da nossa vida pessoal e do nosso descanso em alguns momentos, mas é nesta altura em que já o concluímos que sabemos que concretizamos o objectivo e que o esforço valeu a pena. Gostei de rever alguns prelectores, pessoas com grandes conhecimentos, mas que com a sua humildade, simpatia e bom ambiente, sempre nos trouxeram alguns bons momentos. Acredito que algumas das matérias pudessem ser revistas, para não haver repetição com algumas do I Nível, mas em suma, creio que tivemos sempre boas sensações. O dever e o prazer está cumprido, mas o tempo não pára. Quero crescer mais como treinador, dar passos certos, sustentados e mostrar qualidade de trabalho para poder ir subindo, evoluíndo... no fundo o desejo de qualquer treinador. Por agora, dever cumprido.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Balanço pessoal da época 2009/2010


Quando iniciei a minha aventura nas lides do treino, sabia que a época iria ser longa e que durante a mesma teria oportunidade de aprofundar mais os meus conhecimentos. Há muito por onde se estudar, por onde se pesquisar, no fundo, por onde evoluir e o futebol e suas disciplinas subjacentes é um mundo à parte. Assim aconteceu. Assumi o comando técnico de uma equipa de futebol de formação, sítio indicado para começar e aí começou a minha caminhada. Hoje, posso dizer que sei mais do que ontem. Tive oportunidade de partilhar experiências, colocar perguntas, provocar o debate e assim poder colher mais aquilo que pretendia. Pessoalmente, considero esta época extremamente positiva e nem é por ter conseguido a melhor classificação de sempre com esta equipa, mas porque pude colocar em prática as minhas ideias, trazer uma nova metodologia de treino e novas formas de o abordar tal e qual como a competição e porque juntos, eu, o meu colaborador, os miúdos e os seus pais, conseguimos partilhar de uma comunhão imensa, ao qual se juntou um ambiente de profunda união em torno da equipa, como se comprovou ao longo de uma temporada. Costuma-se dizer que os jogadores ao início gostam de tomar o pulso e fazer valer as competências e fragilidades do seu líder. Neste caso, dada a idade dos miúdos, foram os pais que provavelmente tiveram essa oportunidade. Sinto-me muito satisfeito. Dei tudo de mim, trouxe novos métodos, um ar muito personalizado, uma nova forma de pensar o jogo e o próprio futebol e isso em muitas ocasiões notou-se. Acho que uma das imagens que trarei sempre comigo, será o discurso que os pais dos miúdos e os próprios miúdos, gritando para eu ficar, tiveram para comigo. Nunca esquecerei tamanhas palavras, senti-me bastante emocionado a ouvi-las. Agora, provavelmente começará uma nova era. Espero ter uma nova oportunidade de continuar a evoluir activamente, ou seja, ao comando de uma equipa. Sinto-me forte, preparado e capaz para assumir todos os desafios. Se eu não tiver confiança em mim mesmo, ninguém a terá. Quando é o meu próximo treino? Não sei... mas sei que já tenho muitas saudades da preparação, da organização e do comando do treino.